A tia visitante sentou-se ao meu lado e eu fechei o Lolita que tinha em mãos.
- Você lê uns livros fortes, não?
Pronto. Tudo o que eu não queria era um interrogatório sobre Hombarg e menor impúbere.
- Como?
- Você anda lendo uns livros fortes, estranhos.
- Como assim?
- Eu vi um livro estranho sobre sua cama.
Qual? Não deixei Lolita no quarto. Havia uma graphic-novel embaixo da cama.
- Hããã, era o Monstro do Pântano?
- Isso, acho que era esse mesmo!
Oba! Vamos brincar de República Tcheca!
- Realmente é um livro muito sujo; conta a história de um cientista explosivo que sodomiza planárias (planárias!) esquizofrênicas, muita perversão, um horror! Vou devolvê-lo amanhã para o colega que insistiu em me emprestar.
- E esse aÃ?
- Esse é diferente, conta a luta de um viúvo para permanecer junto a sua enteada, história muito bonita!
- Então esse você pode me emprestar?
Oh-oh!
- Não seria bom, titia. O drama do pobre viúvo é muito emocionante, a senhora não está bem de saúde, não pode passar por emoções fortes.
- Que lindo, tão preocupado com a titia!