maio 6, 2004

diários da parafuseta

Por alguns segundos acreditei que Connor McLeod se identificaria com Jon Osterman, mas logo percebi meu erro grosseiro: Osterman era indestrutível, divertia-se observando táquions e quarcks a olho nu e passava férias em Marte; McLeod precisava manter a cabeça no lugar para permanecer imortal.

Outra dúvida recente diz respeito à equivalência literária: as 60 páginas de Pynchon em V. sobre o horror germânico na África não substituiriam as 3.000 páginas de Lobo Antunes sobre o horror português na África? Ou esse é um novo equívoco insolente?

Não vou confessar que chorei pela morte de Wilson; prefiro relembrar as sábias palavras do Capitão Hugh Godolphin no diálogo com Vera Meroving:

- Houve uma guerra, Fräulein. Vheissu era um luxo, uma condescendência. Não podemos mais nos permitir coisas como Vheissu.
- Mas a necessidade - ela protestou - existe. Que pode satisfazê-la?
- O que já está satisfazendo. A coisa real. Infelizmente.

Verdugos em minha consciência levantam objeções, insistem em afirmar que o Capitão Hugh é tão irreal quanto Wilson; em princípio, não nego, mas Godolphin é aquele sósia de Jon Voight, ainda há pouco contava-me sobre Vheissu e sobre Evan, seu filho; por sua vez, Wilson era apenas uma bola de vôlei numa ilha do Pacífico.

Posted by Mercuccio at maio 6, 2004 3:02 PM