De como Pinto Calçudo querendo fazer esporte, enfia no óculo da cabina um pau comprido e rema, produzindo um grave desvio na rota do transatlântico que aporta inesperadamente ao Congo Belga.
(...) do mais alto mastaréu, o vigilante vigia descobre uma trave de enxofre no mar das descobertas. A nova se espalha comovidamente.
___ Terra! É Jerusalém!
___ Não!
___ É México!
___ É Guaratinguetá!
(...) Eis senão quando na atenciosa madrugada, José Ramos Góis Pinto Calçudo que se conservara insone de camisola, vai bater resolutas pancadas no confessionário do padre que acordado se diverte ouvindo as matinas de um gramofone.
___ Meu pai! esconjura o recém aparecido. Pare essa caranguejola! Como vejo que esta encrenca não desamarra, o melhor mesmo é confessar e comungar! Mas a deficiência das instalações desportivas deste transatlântico é que me fez ter a horrÃvel lembrança do que planejei e consumei. Fui eu, fui eu meu pai, que virei o Rompe-Nuve para as fornalhas do árido continente. Minhas clavÃculas e bíceps careciam de remar. Passei um pau comprido pelo óculo do camarote...
Padre Narciso surge em ceroulas de cadarço!
___ Cadê o pau, meu filho? Onde está o pau?
O infeliz soluça de joelhos.
___ Atirei o pau no Atlântico!
A primeira providência tomada em conselho pelos maiores, Guardião, Mestre, Contramestre e Jota-Piloto é campear o pau perdido nas ondas.
Mas como Pinto Calçudo posto a ferros quentes, descreve o fatÃdico remo como sendo apenas um corrimão de escada, furtado na calada da noite, ordem se dá para que tudo que seja pau, varejão, porrete, mastro, mastaréu, taquara, chuço ou manguara seja urgentemente arrancado e enfiado a tÃtulo de remo nos óculos das cabinas.
E os turistas a postos mergulham esperançosamente as hélices pontiagudas na massa inerte do líquido estafermo.
Transformado em galera e fazendo força na máquinas o steamship alcança enfim mares ventosos em regozijo de que se dá sessão de cinema, seguida de um leilão de prendas.
Posted by Mercuccio at fevereiro 19, 2004 5:07 PM