junho 23, 2004

chá das cinco com o velho Ari

'Mesmo um mentiroso contumaz', diz Mr. Mahaffy, 'é um ingrediente melhor em uma conversa do que um homem escrupulosamente sincero, que avalia cada frase, questiona cada fato e corrige cada impropriedade'. O mentiroso de qualquer espécie sabe que a recreação, e não a instrução, é a alma da conversa e acaba sendo muito mais civilizado do que o cabeça dura que fica alardeando sua desconfiança em relação a uma história que é contada apenas para entreter a platéia. Mr Mahaffy, de qualquer forma, faz uma exceção em favor desse 'eminente especialista' e nos conta que perguntas inteligentes feitas a um astrônomo, ou mesmo a um estudioso de matemática pura, podem fazer emergir fatos curiosos que ajudariam a passar o tempo. Aqui, no entanto, em nome do interesse da sociedade, nós devemos lavrar um protesto formal. Ninguém, nem mesmo nas cidadezinhas do interior, tem a permissão de fazer uma pergunta inteligente a respeito de matemática pura na mesa do jantar.(...)

(...) Já quanto às qualificações morais de um bom conversador, Mr. Mahaffy, seguindo o exemplo de seu grande mestre, nos previne contra qualquer excesso desporporcional de virtude. Modéstia, por exemplo, pode facilmente ser tida como um vício social, e ficar se desculpando continuamente pela ignorância ou estupidez de alguém é um grave insulto durante uma conversa.


Exemplo único de elegância física proporcional à elegância textual. Veja como o corte de cabelo acomoda-se perfeitamente à eloqüência! Ai, que loucura!

Posted by Mercuccio at junho 23, 2004 6:39 PM