dezembro 21, 2004

Madame Mônica Pecegueiro do Amaral: aulas de tradução e trabalho de sopro

(uma retrospectiva insensível)

Madame Mônica Pecegueiro do Amaral tem horror ao trabalho de sopro mas dá aulas de tradução aos necessitados. Madame resolveu dar uma bolsa-de-estudos para Lúcia Guimarães depois de assistir à última edição do Manhattan Connection; Manoel Renha, brasileiro exilado em NY há 20 anos, tentava completar uma frase em português:

- A vitrine da Barnes é mais clássica, mais whimsical, mais...não consigo encontrar a palavra...
- Idiossincrática! - decretou Lúcia.

Foi lindo. Eu dei risada, Lucas Mendes deu risada e quem não havia entendido continuou sem entender nada.

Madame Mônica Pecegueiro é responsável pelas legendas de filmes de grande sucesso comercial. Para as legendas de Master and Commander ela traduziu "picture" como "foto"; nenhum problema, se a narrativa não se passasse no início do século XIX. No filme seguinte, Madame teve seu sobrenome creditado como "Peçegueiro". Nada mais justo.

Pelo título e pelo paráfrafo inicial o leitor pode enganar-se ao pensar que sou admirador de Elio Gaspari. Em 1998, para criticar a escolha de Brizola como candidato a vice-presidente de Lula, Gaspari comparou o erro do Sapo Barbudo a um determinado erro de Napoleão. Elio Gaspari temia tanto as patrulhas-ideológicas da inteligentsia petista que pediu desculpas antes de criticar, recorreu a uma crítica a um erro napoleônico para justificar sua crítica ao erro do Lula-Molusco. Pobre Napoleão, não merecia tanto.

Enquanto escrevo, Jair Rodrigues ainda repete na tv o discurso de 40 anos atrás: "quando derem vez ao morro toda cidade vai cantar". Pois bem, já deram vez ao morro e o que canta a cidade? Os mano pô, as mina pá, ratátátá mais um metrô vai passá e pocotó, pocotó, pocotó. Só isso? Much ado about nothing. Tomem de volta a vez que deram ao morro - e rápido, please?

Falemos de Maitê Proença: nunca li e não pretendo ler, pois não deve escrever crônicas-de-costumes melhores que as de Fingal O'Flahertie Wills. Devo reconhecer, porém, que é dona de belos joelhos. De Veríssimo, Cony e Aloysio não falaremos, porque não têm belos joelhos e porque há crianças na sala.

Enfim, Bad Santa is not so bad, mas saí do cinema com a impressão de que seria melhor ter visto Zatoichi. Sem legendas de Madame Mônica.

Posted by Mercuccio at dezembro 21, 2004 6:01 PM