
O que esperava por seus olhos, quando eles emergiram na estrada, era aterrador. As massas de nuvens negras continuavam subindo pelo céu crepuscular. Acima, muito mais acima, a uma altura ameaçadora e vasta, pairavam pássaros pretos incorpóreos, mais parecido a esqueletos que a pássaros. Pelo cume do Ixtacihuatl, a nevasca passou obscurecendo-o, enquanto o resto do seu corpo era amortalhado em cúmulos. Mas toda a precipitosa massa do Popocatepetl parecia vir em direção a eles, deslocando-se com as nuvens para debruçar sobre o vale em cujo flanco, posto em relevo pela luz singular e melancólica, brilhou um topo de colina, pequeno e indócil, no qual havia um reles cemitério talhado.
O cemitério enx
- aqui o Leonardo Fróes tenta me convencer de que o Lowry teria escrito "o cemitério enxameava de gente" e "pessoas só visíveis enquanto chamas de velas" mas isso é muito feio, vou pular essa parte.
Mas de repente foi como se um heliógrafo a relâmpagos transmitisse mensagens através da rude paisagem: a eles perceberam, congeladas, as próprias e diminutas figuras em preto e branco. E agora, prontos a ouvir a trovoada, puderam também ouvi-las: lamentações e gritos abafados que, ao sabor do vento, desciam ao seu encontro. Tocando guitarra baixo ou cantando, as pessoas rezavam sobre os túmulos dos seus parentes mortos. Um som como que de harpas eólias, uma tintinabulação fantasmagórica, também chegou até eles.
Um estrépito titânico de trovoada engolfou-o, rolando pelos vales abaixo. A avalanche começara. Sem extinguir contudo as chamas das velas, que se mantinham tremeluzindo destremidas, algumas a se moverem agora em procissão. Fiéis em fila descendo pela encosta do morro.
Posted by Mercuccio at novembro 2, 2005 12:00 AM