Os anos 80 foram um poço de mediocridade. O sucesso e a duração de seu penoso "revival" têm óbvias causas demográficas e econômicas, apenas.
Entre 1970 e 1990 o país teve as maiores taxas de natalidade de sua história (qualquer pirâmide do IBGE mostra isso). Hoje, perto dos 30 anos e com salários jamais sonhados por seus pais ou avós quando tinham a mesma idade, as dezenas de milhões de brasileirinhos que eram crianças ou adolescentes na década do Ribamar Sarney financiam o regresso à estupidez dos anos do mocassim sem meia.
O grande paradoxo é que a volta dos modismos dos '80 não seria possível sem os homens que sepultaram a década no Brasil: sem Fernando Collor e sem Fernando Henrique o país não receberia os investimentos externos, não teria as novas tecnologias nem a necessidade de novas faculdades; você não teria seu querido emprego muderninho e não poderia comprar seu DVD do Kid Vinil.
Além de demonstração de mau gosto, a adoração a tudo relacionado aos anos 80 é atestado de burrice: uma legião (duuh) disposta a celebrar uma época em que todos eram ainda mais ignorantes, não tinham dinheiro pra nada e suas profissões nem existiam.
Poe já escreveu sobre a inconveniência de reavivar múmias; se seu desejo de ser loser é tão incontrolável, Casimirinho pra você - mas não venha mais me falar da Caverna do Dragão, dos Menudos, ou de sua Xupapiquita preferida.
Posted by Mercuccio at dezembro 8, 2005 4:28 PM