"Durante o período em que era proibido sair da barraca sem incumbência expressa, um conhecido colega que chegara a Auschwitz semanas antes de nós infiltrou-se em nossa barraca. Queria tranqüilizar-nos, dar esclarecimento e consolo. Magro a ponto de não o reconhecermos logo, mas mostrando-se bem disposto e despreocupado, forneceu-nos algumas dicas: 'Não tenham medo! Não se preocupem com as seleções! Só aconselho e peço uma coisa: vocês têm de fazer a barba, todos os dias, seja de que jeito for, nem que seja com um caco de vidro. Mesmo que vocês tenham que sacrificar o último pedaço de pão para que alguém faça a sua barba. Não fiquem doentes de jeito nenhum, nem com a aparência de doentes. Se vocês querem continuar a vida, só há um jeito: darem a impressão de serem capazes de trabalhar. Basta alguém ficar mancando por qualquer ferimento banal ou quando o sapato está apertado; se a SS vê alguém nesse estado, convoca-o com um aceno e no dia seguinte é certo que ele vai para a câmara de gás. Sabem o que nós chamamos de mussumano? Uma triste figura, um decrépito de jeito adoentado e magro que não agüenta mais trabalho pesado. Em pouco tempo, todo mussumano acaba na câmara de gás. Por isso repito: vocês tem que fazer a barba, têm que andar com compostura!"
(In search of meaning, Viktor E. Frankl)
I rest my case.
Posted by Mercuccio at fevereiro 7, 2006 10:53 AM