Crocodilo Tom é tombadilho torto
Oba, dias!
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Oba, dias!
Eu estava de turbante, numa poltrona, com meu chá. No palco havia uma porta, eu atrás dela, os atores em cena. Após a sineta alguém abriu a porta e eu perguntei:
- Ainda gnose?
Então alguém se levantou na platéia e gritou:
- Pelamordedeus, estão discutindo há duas horas e ainda não resolveram! Afinal, o que é a tal da gnose?
Todos no palco olharam para mim com cara de choro. Eu suspirei bem fundo, lambi o restinho de chocolate no canto da boca, cruzei as mãozinhas sobre o peito e respondi:
- Gnose foi uma tentativa de acordo entre os platônicos e os cristãos primitivos, fracassada graças à recusa dos últimos, para a tristeza dos primeiros.
A platéia festejou em brados de júbilo, lançando cartolas ao alto e esvaziando rapidamente o auditório. No palco, o cavalheiro à ponta da mesa balbuciou "não é só isso" mas caiu o pano e ninguém lhe deu atenção.
A maior virtude de Dragão Vermelho está na introdução: em cinco minutos de poucos diálogos há tudo de relevante sobre Lecter pré-Clarice. Ser menos maneirista que Hannibal também é uma virtude, mas não requer tanto esforço.
Norton fraco, Keitel fraco, Hopkins irritante e canhestro; cuecas de Ralph Fiennes, pelancas de Phillip Seymour Hoffman, o Tocha Humana; Emilly Watson como a noiva do Frankesntein, um tigre assediado, um Norman Bates de 5ª categoria.
DelÃrio humorÃstico em "you own me awe", ápice da fraude - qual o orçamento, déish pau? Desliguei a tv depois de antecipar a ligação do Mr. D com os vÃdeos.
Valei-me, Santo Rhett Butler! E pensar que eu poderia estar resenhando Kill Bill, oh!
Se o hábito literário não provocasse aquele agradável comichão no cérebro ainda assim teria outra utilidade de grande valor: facilitar a identificação de textos mal escritos.
Apostilas ou blogs, livros técnicos ou religiosos, tratados cientÃficos ou receitas culinárias, não importa o gênero: sem concordância, coesão ou preposições corretas a leitura equivale a um dos 12 trabalhos de Hércules.
Não acredito em teses enunciadas em textos mal escritos. Aliás, não acredito e quase sempre não chego a conhecê-las, pois geralmente desisto de textos sem ritmo lá pela 3ª linha. Se sua teoria é genial mas seu texto é boçal contrate um ghost-writer, mas não perca tempo tentando me convencer a enfrentar idéias dispersas ou orações obtusas.
E engana-se quem pensa que escrevo isso porque sou mimado; erros de sintaxe alheios não dependem da minha modéstia.
Alguém mais percebeu a citação ao Salmo 25 na cena inicial? Não? Sem problemas, a pouca familiaridade com o aramaico deve ter atrapalhado. Creio que a versão do Third Day não seria reprovada pelo autor da letra, apesar da substituição dos saltérios e harpas pelas guitarras.
Maior que a dúvida de Tomé foi o espanto dos Ocean's Eleven: imagine reencontrar vivo e sem cicatrizes alguém que na hora da morte parecia uma chaga ambulante?
Não retiro uma linha do que escrevi e nem peço que esqueçam o que publiquei. Digo apenas que a segunda metade é infinitamente superior à primeira, óbvia e previsÃvel, e que, sim, V de vingança é uma grande obra e supera os limites do meio HQ. As virtudes do último tomo compensam o argumento inicial chinfrim, que já era clichê em 1983. Não vou fazer longo discurso sobre diferenças de valor entre as partes e o todo; você, leitor ilustre, já domina o assunto - e as trilogias dos irmãos Wachowski e de Peter Jackson são exemplos recentes.
Agradeço à biblioteca do SESI por proporcionar-me agradável leitura sem exigir os 20 dinheiros cobrados pelo sebo.
Depois de 03 semanas o metódico amigo suspicaz voltou.
Não interrompa a leitura do post pela obviedade do argumento inicial, leitor, mas desde a infância tenho vontade de fazer um filme.
Não pense o querido leitor, porém, que este desejo tem origem em motivos vulgares como revelar ao mundo meu talento narrativo ou a qualidade de meus diálogos grouxianos. Na verdade, a pelÃcula seria a parte menos importante do projeto; desde a infância desejo dirigir um filme para poder fazer aqueles cartazes promocionais.
Não se engane novamente, caro leitor, pensando que trata-se de só mais um caso de vaidade ilimitada, da trivial pretensão da notoriedade; sempre quis fazer um filme apenas para inserir o seguinte texto naquela parte dos cartazes onde são reproduzidos os elogios da mÃdia à obra:
"Nunca acreditei naqueles elogios de cartazes promocionais" - Coadjuvante 1.
"Nem eu. Produtores e publicitários criam jornais e revistas fictÃcios só para dizer que alguém elogiou o filme." - Protagonista
Vivi minha pior experiência cinematográfica ao assistir pela primeira vez Executive decision. Não apenas pelo filme, mas pelo contexto. Observe o detalhe da "primeira vez", porque além de tudo sou masoquista.
Em uma madrugada no final de setembro de 2001 tive o prazer de conhecer tal filme, que narra o sequestro de um 747 por um grupo de terroristas árabes que planejam derrubá-lo em Washington D.C. Sim, em setembro de 2001. Em destaque no elenco, Steven Seagal balança o rabinho-de-cavalo com toda a canastrice que lhe é peculiar. O único consolo, se é possÃvel encontrar consolo em filme tão qualificado, é que o personagem de Seagal é defenestrado do avião durante o vôo, para gáudio universal e regozijo dos povos.
Como era previsÃvel, experiência tão marcante levou-me a desenvolver uma nova teoria, a MetafÃsica Cinematográfica, que propõe que o último filme da carreira do artista deveria ser a recompensa por todos os seus trabalhos. Imagine a monitora acompanhando turistas no museu de cera:
- Oh, esse ator era magnÃfico, extremamente talentoso, um gênio das artes dramáticas; em seu último filme ele foi o vizinho de Audrey Hepburn no ParaÃso.
- Oh!
- Maravilhoso!
- Lembro-me bem, ele era fantástico, incrÃvel!
- E esse outro aqui ao lado?
- Esse aÃ? - a monitora faz uma pausa - Bem, basta dizer que em seu último filme ele despencou de um avião durante o vôo.
- O avião caiu?
- Não, ele foi espirrado para fora do avião. Sozinho.
- Oooh!
V for vendetta - 01 foi a pior leitura do ano, até aqui. Avisem-me se Watchmen for parecido, pois então investirei em outra aquisição para a biblioteca dos netinhos.
A arte de Lloyd é louvável, mas o roteiro é capenga, arrastado, lembra os piores momentos de 1984 e BNW. Há algo parecido com ritmo lá pela página 40 e no apêndice final, que nem fazia parte da edição original.
A cada duas páginas eu pensava em atirar a revista pela janela, mas voltava atrás na esperança de que algo acontecesse antes do fim. Devia ter jogado fora lá pela página 05 mesmo.
Moore acertou quanto à s câmeras, que já vigiam as ruas de Londres há anos, e quanto à aliança entre fascistas e corporações, mas errou feio ao colocar minorias como vÃtimas e não como aliados da Nova Ordem.
E onde está a inovação? O que há em V for Vendetta que já não havia em Orwell e Huxley? Nem vou citar aquele outro V , seria covardia.
Na dúvida, prefira Fahrenheit 451, 30 anos mais velho e muito mais humano, poético e criativo.
- Você quer ser escritor ou burocrata? Você precisa largar esse emprego!
- Certo, largo o emprego e vou fazer o quê?
- Vá lavar pratos.
Só percebi que não era piada depois de ler o texto do Faulkner:
Há quem tenha como projeto de vida a refilmagem da pornochanchada; eu me contentaria em refilmar Marx, Seinfeld, MP ou mesmo o Chaves.
Animal Crackers é superior a Monkey Business - que é mais curto mas perde o ritmo na metade final - mas é inferior a Duck Soup , de melhor edição e roteiro. Para quem prefere algo mais quente há aquele com Norma Jean.
Meia hora de qualquer filme dos Marx é argumento irrefutável contra o cinema brasileiro e demais variações de cinema pretensioso. Centenas de leis de incentivo não vão melhorar os diálogos.
Em minha graduação em Artes Liberais na SJCA defenderei a tese Do Suco de Tamarindo ao Soup Nazi: Elementos Bolañisticos na Obra Seinfeldiana . Não dou mais detalhes porque é preciso evitar a fadiga dos Constanza.
Foram os anos decisivos de sua formação: ele poderia tê-los perdido, aguardando melhores dias para estudar. Mas nada, neste mundo, pode vencer a determinação do homem que é fiel à vocação espiritual. Não se intimidem, não desistam. Quanto mais pobres vocês ficarem, mais se dediquem aos estudos. A porcaria reinante não prevalecerá sobre a sinceridade dos seus esforços. Digo isto com a experiência de quem, ao longo de mais de duas décadas de pobreza, com mulher e filhos para sustentar, jamais deixou de estudar um único dia, aproveitando cada momento livre e abdicando de toda sorte de viagens e divertimentos. Nunca esperei que minha situação melhorasse para depois estudar, e garanto: seja teimoso, e um dia o mundo desiste de tentar dominar você pela fome.
Queria apenas que a Rainha Elizabeth soubesse que não quero perdê-la, mas a escrita é vã, a Rainha Elizabeth não recebe desaforos.
As visitas começaram a elogiar meu jardim:
- Ah, que belo jardim!
- Quisera eu ter um jardim como esse!
- Puxa, se eu vivesse aqui, vinha ler todas as tardes naquela rede, que coisa linda!
- O que é aquilo, uma carpa?
Não aguentei e gritei:
- Puta merda! Não elogiem tanto meu jardim! Vocês estão querendo me enganar? Tenho depurada autocrÃtica!
Peguei o ancinho e destruà o gramado, raÃzes pelo ar:
- Não é lindo, é uma porcaria! Não tenho tempo para cuidar dele!
As visitas, atônitas, constrangidas:
- Mas,
Derrubei a fonte a chutes:
- Mas coisa nenhuma, é feio, muito feio; não adianta, não vou ficar convencido.
Matei duas carpas a pedradas, com satisfação:
- Pronto! Assim está melhor. Agora vamos ver o quarto do bebê.
Os convidados, aos prantos, saÃram em disparada e pularam o muro, sem olhar para trás. Nem devolveram as xÃcaras, ingratos.
Então o jardineiro respondeu:
- Ele não está aqui. Ele vive.
Mas não era o jardineiro; era Carpenter, afeito a monstruosidades, irmão da falecida Sandy.
O nhoque, este natimorto.
Longa vida ao Antônio Canelloni.
Mistah Kurt, he is dead.
Longa vida ao cha-cha-cha. E ao José Rubens Cha Cha.
- Que é que vocês fazem - perguntou Lucille.
Eu conto vantagens para garotas com quem quero trepar, pensou Profane. Coçou a axila.
- Matamos crocodilos - disse.
- Quê?
botulismo, suja bacia afegã
gongorismo, fuga da tia da irmã
trobriandrismo, plutocracia espiã
balonismo, uva, lichia e romã
triciclismo, uma utopia rolimã
bastianismo, Setúbal, Leiria, Lousã
1152 páginas em defesa de uma tese que não vale um parágrafo.
Autores deviam perceber que calhamaços tornam-se armas letais quando arremessados contra suas cabeças.