helena frankenstein
Você reconhece a inquestionável decadência dos padrões de beleza quando percebe que os travestis da cidade se parecem com a prefeita.
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Você reconhece a inquestionável decadência dos padrões de beleza quando percebe que os travestis da cidade se parecem com a prefeita.
A viagem vertical é tão bom que reli o penúltimo capítulo 04 vezes antes de ler o último só para adiar a despedida. Publicarei uma resenha aqui em breve - ou seja, até março.
Também é deliciosa a História da Filosofia do Júlian Marias, agora em edição nacional. O que dizer de uma história da filosofia com prólogo de Xavier Zubiri, epílogo de Ortega y Gasset e que - ah! hmmm! oh! oh! yes! yes! yeaahhhhh! - não traz o termo "Marx" no índice de 10 páginas?
Com nem tantas décadas de atraso, O Código dos Códigos, de Northrop Frye, pela Boitempo - aquela. Pareceu-me desnecessária a opinião pessoal do tradutor sobre a Bíblia como "instrumento de dominação" e "fonte de inspiração para lutas", nos dois últimos parágrafos do posfácio, mas isso não diminui a importância do tão aguardado lançamento, no qual o professor Frye comprova que os arquétipos bíblicos foram a base das grandes obras literárias ocidentais dos dois últimos milênios.

Vejo aqueles miseráveis no horário eleitoral e tenho vontade de lhes dar esmola.
- Droga, chegou o saxofonista!
Visitei o delator mas mantive o silêncio e fui breve, portanto não vi o banho das borboletas-de-bengala - thanks Heaven! Posteriormente aguardei atrás do palco a hora de falar mal de Pindaíba, como todo fanho que se preze, mas a trombeta não soou; contentamo-nos em expressar a saudade de Chris Claremont e nossa incredulidade diante do mundo cruel e ridículo contemplado por todos, menos pelo artista de boa morte.
Oi, dona-de-casa
é a novidade
aqui em sua porta
venha ver que maravilha
pamonhas caseiras,
o curau caseiro,
e as deliciosas
espigas
de milho
-verde
cozido.
Sorvete de milho-verde!
'xperimente que delícia,
sorvete de milho verde!
vamos chegando,
examinando
'xperimentando
as
deliciosas
pamonhas
e o curau caseiro,
feitos do puro
suco do milho
com coco
canela e
manteiga
no jeitinho
do seu
paladar.
Eles estão
fresquinhos,
fresquinhos.
Nós damos garantia.
O prazer de atravessar um salão em meio às vaias de 2000 pessoas é indescritível. Infelizmente as vaias não eram para mim.
Graças às sórdidas relações entre sindicatos, federações e partidos políticos, ir às assembléias era como ir ao circo sem pagar pelo ingresso. O sindicato apoiava as propostas patronais e acusava os dissidentes de usar a campanha salarial para favorecer partidos de oposição; os dissidentes acusavam o sindicato de usar a campanha para favorecer o partido governista. E o que eu fazia lá? Aguardava para saber se voltaria a trabalhar no dia seguinte ou não. E, como nunca pretendi levar a sério aquela profissão, aproveitava a diversão gratuita que as reuniões da categoria proporcionavam.
Bastava um sindicalista iniciar seu discurso para a patuléia ensandecida voltar-lhe as costas e gritar:
-Pelego! Pelego! Pelego!
ou ainda:
- Volta pro trabalho! Volta pro trabalho! Volta pro trabalho!
ordem essa surpreendente, pois partia de uma multidão disposta a não voltar para o trabalho durante alguns dias em nome de reivindicações claramente absurdas que não seriam atendidas, como todos previamente sabiam. A coerência sempre foi mais rara que os eternos, e eternos são os diamantes.
Tudo isso há muito tempo atrás, bem longe do Brasil, é claro.
Bebi sem camisinha, fumei sem cinto-de-segurança, não entreguei meu Winchester à campanha do desarmamento, dei pauladas nos nababos do caminho, não justifiquei minha ausência ao exame do toque, soneguei a descarga tributária e não pedi bula papal. Diria sim à Alca e ao capital estrangeiro se eles não tivessem me abandonado no altar. Recompensa: alguns Bloodhounds e infinitos Trojans. Ali Babá quarentenava os ladrões! Finda a temperança, queimei todos os botocudos, comendadores e metrossexuais. Exilio, Almirante Canning e silêncio. Meu reino! Um cavalo por meu reino! Baixar comodoros, eflúvios fora.
Na casa de Papai Papudo há muitas Mafaldas; se não fora assim, vo-lo teria dito. Vou preparar-vos jantar. Eis o vinho sem demora!
Como não amar uma trilha-sonora que apresenta o BWV 1068 por The Klazz Brothers - creditado como BWV 991 - logo depois de um inspirado soul por Cody ChestnuTT?
Pela primeira vez Tom Cruise não é o coadjuvante do filme que protagoniza, apesar do bom desempenho de Jamie Foxx. A evolução técnica de Cruise torna-se perceptível logo em suas primeiras falas, e por todo o filme ele permanece um pouco mais convincente que em Magnolia.
Como sou extremamente irritante deduzi o clímax final com 02 horas de antecedência, mas Michael Mann fez um ótimo trabalho. Collateral mantém o ritmo inquietante até o último minuto, em seqüências de tensão-sobre-tensão permeadas por diálogos ásperos extremamente bem interpretados pela dupla Cruise-Foxx.
Diretor, roteirista e protagonista criaram o personagem mais interessante do ano nas telas para ao final submetê-lo às convenções moralistas do bom-mocismo-idiota de Hollywood, mas ainda assim Collateral é uma demonstração de domínio de narrativa, de direção e de intrepretações. Um dos melhores americanos da temporada, certamente.
Não se engane pelo título, caro leitor: esta não é a resenha de Fahrenheit 9/11 e, infelizmente, Michael Moore ainda vive.
Bryce Dallas Howard é linda e talentosa, Adrien Brody está fantástico e Joaquin Phoenix está a cara do George Walker Bush, mas The Village é um filme bobinho. Não é a mais nova farsa de um diretor picareta nem a obra-prima do novo mestre do suspense; é só um filme mal conduzido e repleto de diálogos fracos; bobinho, frouxo, não prende a atenção. O primeiro diálogo interessante surge aos 40 minutos; o segundo, aos 70. O argumento da utopia ameaçada não é desprezível - e poupe-me de intrepretações políticas, por favor - mas Shyamalan não conseguiu sustentar o terror nem criar o ambiente do suspense, como Bryan Singer fez em Usual Suspects ou como Alejandro Amenábar fez em Os Outros. O final até é aceitável e plausível, difícil é permanecer acordado.
Branca de Neve planejou fugir para a Terra do Nunca. Queria conhecer novas crianças, anões, seres míticos do Cangaço Nacional, o presidente Banana Joe, a Anaconda e os encantos da floresta - o boto-cor-de-rosa, o curupira, o uirapuru e o equilíbrio do saci no ato constitutivo.
Recebi convite para uma palestra sobre 9/11. Um dos temas: o ataque como exemplo de um fogo eterno, que não se apaga. Se aproveitam da minha nobreza. Branca de Neve já confirmou presença, na esperança de encontrar o boitatá e a mula-sem-cabeça.
Ok, agora volto ao recesso.