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outubro 29, 2004

já está chegando a hora de ir

E continua o bota-fora:

D Bm Em A7
Adeus, amor, eu vou partir
D D7 G Ab0
Ouço ao longe um clarim
D Bm Em A7
E onde eu for não irei sentir
D A7 D A7
Os teus passos junto a mim

D Bm Em A7
Estando em luta, estando a sós
D A7 D A7
Ouvirei a tua voz
D Bm Em A7
A luz que brilha em teu olhar
D D7 G Ab0
A certeza me deu
D Bm Em A7
De que ninguém pode aproximar
D A7 D A7
O meu coração do teu
D Bm Em A7
No céu na terra aonde for
D A7 D
Viverá o seu odor


vai, vai, vai, bruxa velha.jpg

johnny cash

There are places I’ll remember
All my life though some have changed
Some forever not for better
Some have gone and some remain
All these places have their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I’ve loved them all

But of all these friends and lovers
There is no one compares with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new
Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll often stop and think about them
In my life I love you more

Though I know I’ll never lose affection
For people and things that went before
I know I’ll often stop and think about them
In my life I love you more
In my life I love you more

meu cachorro vai se chamar pastor reinaldo

O Congresso Nacional decreta:
Art. 1º Fica proibido o uso de nomes próprios, prenomes ou sobrenomes, nacionais ou estrangeiros, comuns à pessoa humana em animais domésticos, silvestres ou exóticos.
Art. 2º Ficam as faculdades de medicina veterinária, as clínicas veterinárias e os estabelecimentos que comercializem animais, medicamentos, comidas ou acessórios para animais a afixarem, em local visível, placa informativa sobre os termos desta Lei.
Art. 3º Os parques, aquários, zoológicos e áreas similares que promoverem concurso para escolha de nome dos animais sob suas tutelas deverão desconsiderar as sugestões de nomes comuns à pessoa humana.
Art. 4º O descumprimento do disposto nesta Lei sujeita o infrator ao pagamento de multa ou prestação de serviços comunitários, a ser estipulado pelo Poder Judiciário.
Art. 5º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Justificação
Uma das atividades mais significantes no processo de geração de uma criança é a escolha do nome. Pais, familiares, amigos e até especialistas buscam com acuidade afetiva e representativa um nome que caracterize o indivíduo ou, pelo menos, pressuponha o futuro próspero do nascituro, desejado pelos pais. Se não com este propósito, certamente para homenagear alguém que se tem em honra, salvo desvio de regra geral.
O nome próprio, que tem função individualizadora e identificadora é o resultado da filiação do sujeito. Representa suas raízes familiares e, comumente, esclarece o seu sexo.
O nome próprio é o sinal distintivo que leva o seu portador a ser conhecido na sua família e na comunidade em que vive. Além disso, lembrará os méritos, os deméritos e a idoneidade do seu titular. Antigamente, o caráter de valentia, glória, heroicidade e espiritualidade do povo refletia-se no nome e definia o tratamento que lhe seria dado. Elementos estes que são, entre o reino animal, incontestavelmente inconscientes, irrelevantes e insignificantes. Além do que raros são os animais que recebem o mesmo nome de seus proprietários e tutores.
A Declaração dos Direitos da Criança estabelece o nome como necessidade primaz do indivíduo tanto quanto a vida. O impacto psicológico do nome na construção da identidade pessoal é indiscutível, em especial, na infância e na adolescência. O Estado Brasileiro assume um compromisso obrigacional com seus cidadãos, e, por tal motivo, é que consagra o nome civil como direito fundamental material, posto que, está previsto na Constituição Federal de 1988 como um direito da personalidade. Não obstante, o Código Civil de 2002, prevê expressamente o nome civil como um direito basilar e específico da personalidade.
Está evidente que o nome dá unidade à pessoa, pois está no ser humano, compondo parte psicossocial de si mesmo. Inseparável do seu titular, dá-lhe exclusividade e adere à sua personalidade, constituindo o mais vivo representante da sua pessoa.
O nome é símbolo da personalidade humana, pois desenvolve-se junto com o sujeito e não se extingue com a sua morte. É uma necessidade estritamente humana e de nenhuma importância ou utilidade psíquica e sequer social para o animal, por mais considerado que este seja.
Citando Goethe: "O nome de um homem não é como uma capa que lhe está sobre os ombros, pendente, e que pode ser tirada ou arrancada a bel prazer, mas uma peça de vestuário perfeitamente adaptada ou, como a pele, que cresceu junto com ele; ela não pode ser arrancada sem causar dor também ao homem."
Precisamos fomentar os elementos facilitadores das relações interpessoais em vez de ignorar os elementos que servem apenas para escárnio e provocação entre os seres humanos. Assim creio que esta proposição evitará os constrangimentos e os prejuízos psicológicos ocorridos nos desgastantes encontros entre homem e animal que compartilham o mesmo nome, em especial às crianças em fase de construção de sua identidade e personalidade.

E quanto ao encosto que baixou no deputado Bassuma? O deputado Pastor Reinaldo não fez nada? A bancada da Igreja Universal não fez nada? Chega de monopólio da Rede Record! Eu quero exorcismo na TV Câmara! EU QUERO EXORCISMO NA TV CÂMARA!

E me processe; serei um mártire.

outubro 28, 2004

zuou, zuou

- Viu o Iasser Arafat?
- Vi. Que coisa, né?
- É. Só não entendi o que ele tava fazendo no Estádio do Morumbi.
- Não era briga de galo?
- Não, parece que ele veio visitar o Fidel, que caiu.
- O Fidel caiu?
- Caiu do palanque. Ele tava discursando numa inauguração, de aventalzinho branco e tudo, daí jogaram uma Preta Gil e uma Marlene Mattos nele.
- Ah, zuou, zuou!
- Sério!
- E ele morreu?
- Não, só quebrou um Banestado e um Haiti.
- Ah, até parece!
- Saiu tudo naquele jornal The Guardian, sabe?
- Sei.
- Então, o jornal passou uns e-mail pra avisar o pessoal que o vice do Bush é da turma do Pitta.
- Ah, tá apelando, tá apelando!
- E a prefeita ainda ficou chorando na televisão, dizendo que ela é vítima de preconceito só porque defende a união civil de Paulo Maluf.
- Não falei? Tá apelando, tá apelando!
- É, mas nem vai adiantar, porque ela só trocou os pneus duas voltas depois.
- Baixaria; nem assisto mais esse horário-de-verão!

Para mestre Radamanto, lânguido das gentes.

outubro 27, 2004

a despedida

As urnas mortuárias só serão abertas no domingo, mas neste momento de contrição, quando a dama com penteado do Walter Mercado e boca do Robocop derrama lágrimas plenas de ternura na esperança de superar o preconceito patriarcal, deixo aqui minha singela homenagem de despedida. E com cifras!

D D7M D6 D7M
Já está chegando a hora de ir
D D7M Em7 A7
Venho aqui me despedir e dizer
Em A7
Em qualquer lugar por onde eu andar
D D7M D6 D7M
Vou lembrar de você
D D7M D6 D7M
Só me resta agora dizer adeus
D D7M G
E depois o meu caminho seguir
D
O meu coração aqui vou deixar
B7 Em7
Não ligue se acaso eu chorar
A7 D D7M D6 D7M D
Mas agora adeus
D D7M D6 D7M
Só me resta agora dizer adeus
D D7M G
E depois o meu caminho seguir
D
O meu coração aqui vou deixar
B7 Em7
Não ligue se acaso eu chorar
A7 D D7M D6 D7M D
Mas agora adeus

na margem do rio piedra eu sentei e chorei crisântemos

- Você pensou mesmo em perguntar a ele sobre aquele texto que ele assinou na República em 1999 elogiando Paulo Coelho?
- Pensei. Então contei até 03 e desisiti.

outubro 26, 2004

leonardo dá vinte; joãozinho, trinta

Você gosta de teorias conspiratórias, querido leitor? Tenho uma novinha, especialmente para você!

Analisemos alguns trechos daquele batuque com o qual os macacos se chacoalham:

A minha sorte grande
foi você cair do céu,
minha paixão verdadeira.

e

É lindo o teu sorriso,
o brilho dos teus olhos,
meu anjo querubim.

Do primeiro trecho podemos deduzir que a canção (sic) é dedicada a alguém que caiu do céu. Ora, o profeta Isaías nos diz que quem caiu do céu foi Lúcifer, o Tinhoso ("como caíste desde o céu, ó estrela da manhä, filha da alva"!). No segundo trecho analisado descobrimos que aquele que caiu do céu era um anjo querubim, o que confirma a descrição que o profeta Ezequiel fez de Satanás, o Coisa-Ruim ("tu eras o querubim da guarda ungido").

Cuidado, leitor incauto! Além de danificar sua compreensão sobre a arte musical, a música popular botocúndia faz parte de uma conspiração cósmica que quer dominar sua alma!

Duas razões principais levam alguém a acreditar nas conspirações mais absurdas e improváveis: o sofisma do demiurgo-maroto e o sofisma do bom-selvagem.

O sofisma do demiurgo-maroto:
- A vida não pode ser apenas isso! O mundo não pode ser tão ridículo! Tudo não passa de um jogo de mentira e dissimulação forjado por um demiurgo-maroto! Há uma conspiração! Eu preciso descobrir qual o segredo dos sórdidos conspiradores!

O sofisma do bom-selvagem:
- Eu sou muito bom, muito inteligente e muito incorruptível; jamais aceitaria aquela proposta! Terríveis forças ocultas me conduzem àquela direção! Poderosos tangem as cordas do destino! Mensagens subliminares induzem-me ao Mal! Sou um cão de Pavlov! Conspiração! Conspiração!

Ah, o horror da consciência individual.

outubro 25, 2004

"todas tirem as tangas"

Dom Sebastião sou eu e um dia voltarei às Índias.

como é bom ser um velho reacionário, gordo, próspero e rabugento

A patuléia precisa entender que o sebastianismo estraga até a Fórmula 1.

Todo sebastianismo é nocivo. Pelo sebastianismo a Preta Gil de 1980, que é branca, tornou-se prefeita. Pelo sebastianismo Sassá Mutema foi eleito com o apoio de Ravengar. Deus me livre do sebastianismo de um careca. Deus me livre do sebastianismo do Kerensky, Príncipe de Sorbonne e Corte da Praça Buenos Aires.

marimbondos de ressaca

Sábado, entre minha segunda sessão de Kill Bill vol 01 e minha terceira sessão de Kill Bill vol 02, vi uma limousine branca na porta de uma igreja e recordei Francis humilhando Sarney: "José Ribamar alugou uma limousine branca em sua visita a NY. Que coisa mais jeca, meu Deus. Até a Máfia já deixou de usar limousines brancas." Há 18 anos. Bem longe daqui.

E se no primeiro parágrafo atravessei um mar de vulgaridade, no segundo precisarei do escafandro; poucas semanas depois da morte de Tim Maia, Ed Motta deu a seguinte resposta quando um repórter perguntou se ele pretendia regravar covers do tio falecido: "Não. Deixo a tarefa para os menos talentosos". Meses depois surgiu Maurício Manieri.

Mas nada disso é relevante e ninguém pediu minha opinião, claro.

cumplicidade

Teríamos um romance se não tivéssemos outros amores. Ainda assim, em poucos segundos o olhar revela todo o carinho, a admiração, a atração e o respeito.

E Cole Porter, porque Cole Porter merece:

I love the look(s) of you, (and) the lure of you
The sweet of you, and the pure of you
The eyes, the arms, and the (that) mouth of you
The east, west, north, and the (that) south of you

I'd love to gain complete control of you
Handle even the heart and soul of you
Love at least a small percent of me do
'cause (because) I love all of you

admirável galo velho

Ê, ôô, briga de galo,
jogo marcado, ê,
jogo feliz.

outubro 21, 2004

this Birth was Hard and bitter agony for us, like Death

'A cold coming we had of it,
Just the worst time of the year
For the journey, and such a long journey:
The ways deep and the weather sharp,
The very dead of winter.'
And the camels galled, sore-footed, refractory,
Lying down in the melting snow.
There were times we regretted
The summer palaces on slopes, the terraces,
And the silken girls bringing sherbet.
Then the camel men cursing and grumbling
And running away, and wanting their liquor and women,
And the night-fires going out, and the lack of shelters,
And the cities hostile and the towns unfriendly
And the villages dirty and charging high prices:
A hard time we had of it.
At the end we preferred to travel all night,
Sleeping in snatches,
With the voices singing in our ears, saying
That this was all folly.

Then at dawn we came down to a temperate valley,
Wet, below the snow line, smelling of vegetation;
With a running stream and a water-mill beating the darkness,
And three trees on the low sky,
And an old white horse galloped away in the meadow.
Then we came to a tavern with vine-leaves over the lintel,
Six hands at an open door dicing for pieces of silver,
And feet kicking the empty wine-skins,
But there was no information, and so we continued
And arrived at evening, not a moment too soon
Finding the place; it was (you may say) satisfactory

All this was a long time ago, I remember,
And I would do it again, but set down
This set down
This: were we led all that way for
Birth or Death? There was a Birth, certainly,
We had evidence and no doubt. I had seen birth and death,
But had thought they were different; this Birth was
Hard and bitter agony for us, like Death, our death,
We returned to our places, these Kingdoms,
But no longer at ease here, in the old dispensation,
With an alien people clutching their gods.
I should be glad of another death.

T.S. Eliot, The Journey of the Magi.

outubro 20, 2004

passarinho

A caminho do encontro, resolvi correr ao passar em frente a uma favela e fui perseguido por três cães. O mais furioso mordeu meu joelho mas sobreviverá, pois não houve troca de fluídos.

Do encontro, reproduzo o que declarou-me o vate verborrágico:
- Você tem mesmo cara de escorpião; escorpião com cara de passarinho.

Ao final - glória suprema! - como não poderia deixar de ser, discutimos a gnose.

outubro 15, 2004

a conga irlandesa do punk cearense

Nos anos 70, Dee Dee, The The, Moussey e Zakey formaram os Trapamones.

- Cuma?

Assim disse o profeta:

Once upon a time and a very good time it was Dee Dee Moocow was coming down along the road and this Dee Dee Moocow that was coming down along the road met a nicens little boy named baby tuckoo. . .

b.b. [contém spoilers]

Kill Bill vol. 2 is gorgeous.

Já posso postar spoilers? Já posso? Já posso?

WARNING! SPOILERS!
WARNING! SPOILERS!
WARNING! SPOILERS!

Depois não diga que eu não avisei.

the Bride sees B.B. for the first time]
B.B. : Freeze, Mommy!
Bill : Bang bang!
[pretends to be shot]
Bill : Oh B.B., Mommy got us. I'm dying.
B.B. : I'm dying. I'm dying.
Bill : Fall down, sweetheart. Mommy shot you.
[both fall down and pretend to die]
Bill : [in a narrative tone] But little did Quick-Draw Kiddo know that little B.B. was playing possum, due to the fact she was impervious to bullets.
B.B. : I'm impervious to bullets, Mommy.
Bill : Hey, get back down there. You're playing possum.
[in a narrative tone]
Bill : So, as the smirking killer approached, what she thought, was a bullet-ridden corpse, that's when little B.B. fired.
[B.B. gets up and pretends to shoot the Bride]
B.B. : Bang bang!
Bill : You're dead, Mommy... so die.
[the Bride is still shocked]
Bill : B.B.
[comes out of it and acts out a huge death scene]
The Bride : Oh, B.B., you got me. I should have known... you are the best.
[collapses to the ground and pretends to die]
B.B. : Oh, Mommy, don't die. I was just playing.
The Bride : I know.

B.B. desmontou Beatrix. Desmontou o filme. Desmontou tudo.

Eu disse que era um filme família, mas ninguém acreditou.

outubro 14, 2004

m g rd nt pr fr nt

Sábado li pela primeira vez um conto de Bukowski; não toquei no fumo e na taça de vinho próximos pois considerei que uma única droga já seria suficiente por toda a noite.

Eu sabia tão pouco sobre Bukowski que usava a pronúncia errada, "bucousqui", então me disseram que o certo é "bucóvisqui". A ignorância quanto a autores ruins devia ser uma virtude; se há um bom colesterol deve haver também um bom filistinismo:
- O exame indicou que seu bom filistinismo está muito baixo.
- E isso é grave, doutor?
- Não; é fácil de resolver. Você já ouviu falar em John Fante?
- Hããã, não.
- Já leu "O Cobrador", do Rubem Fonseca?
- Não.
- Alguma coisa da Patrícia Mello?
- Também não.
- Pronto! Tenho certeza de que seu bom filistinismo já está melhor agora. Continue evitando os excessos.
- Obrigado, doutor.

No tal conto do Bukowski li a pior frase disfarçada de literatura que já encontrei :
- Merda, disse, tudo morre cagando.
Depois me disseram que isso ainda é melhor que John Fante. Fiquei imaginando Fante como um escritor-bebê de fraldas sujas e gengivas sangrentas, segurando um charuto e um copo de uísque, cercado por cinzas, garrafas vazias e dezenas de fraldas sujas, incapaz de compor uma oração com sujeito, verbo e predicado.

Quando terminei de ler o conto, ligeiramente arrependido ao concluir que mesmo a taça de vinho Facundo não me faria tão mal, percebi uma mensagem cifrada na camiseta da garota à minha frente:

m g rd nt pr fr nt
M NS G B

A primeira frase era fácil:

uma aguardente pra frente

Já a segunda pareceu-me um pouco mais complicada. Pensei em

AMANSA GIBÓIA
mas logo considerei que nem mesmo designers de camisetas de cachaceiros escreveriam gibóia em vez de jibóia - talvez os leitores de Fante, mas divago. Sem alternativas, deduzi que a mensagem era:

Uma aguardente pra frente!
AMANSA GABÃO!

Só não entendi por que o Gabão precisa ser amansado. Os gaboneses devem ter lido muito Bukowski.

outubro 13, 2004

a política do pastelão

Eu quero atirar uma torta na cara do Lula. A cara do Lula implora por receber uma tortada. Meses atrás os Confeiteiros Sem Fronteiras lançaram uma torta na cara do José Genoíno, um coadjuvante; incompreensível erro de estratégia, pois Lula conta com um dedo a menos se defender. Uma torta na cara forçaria Lula a lavar a barba e poderia incentivá-lo a barbear-se pela primeira vez em trinta anos, abandonando aquele visual de gerente de churrascaria.

Há algumas semanas comprei uma máscara do Lula e iniciei uma nova diversão fraternal; todos os dias meu irmão mais novo veste a máscara e dircursa:
-COMPANHEIROF, PREFIVAMOF ENTENDER QUE O FOME VERO
aí eu acerto uma torta de chantilly nele e os dois rolamos de rir. Mas não é a mesma coisa. Eu queria ser vizinho do Lula, aquele funcionário-público superestimado, só para poder dar tortadas nele todas as manhãs.

Atirar galinhas pretas na Marta é trabalho de principiantes; jogar tortas na cara do Lula é para os bons.

outubro 11, 2004

cemitério indígena com vista para o mar

Não pode dar certo uma cidade que tem avenida com nome 'Jacu'.

Quatrocentos anos atrás só havia mendigos na terra dos papagaios - os mendigos de Pernambuco faziam sua própria aguardente, os mendigos de São Vicente e adjacências nem isso - logo, a expressão "família paulistana quatrocentona" é cacoete marxista, ou grave sinal de indigência mental, ou preguiça - o que dá na mesma. Quadrúpedes que usam expressões como esta atestam sua incredulidade na liberdade econômica e na mobilidade social e relincham na hora do banho.

não fazem mais decadentistas como antigamente

Salci Fufu, decadentista de nobre estirpe e boa cepa, de um tipo que não se faz mais.

E quando Bob Esponja será reconhecido como herói das gentes, campeão dos homens de bem, baliza moral do Ocidente?

chorando estará ao lembrar de um amor que um dia não soube cuidar

Pensei em fazer outra paródia, de canção atualmente em voga, com os versos:

- Veja, sua samba-canção está fedida!
- Pelamordedeus, lava o pé, Marisa!

e

Você será capaz de sacudir o Raimundo!

Desisti, pois o projeto é óbvio e aviltante e claramente anti-semita. Tsunamis me fariam mudar de idéia, desde que comprovadamente causadas pelo espirro de um bebê tailandês em Camberra.

outubro 8, 2004

Ah, well, it, uh,-- it has probably escaped from a zoo. Mhm.

TIGER, tiger, in Africa?
In the forests of paprika,
What immortal hand of a free cat
Could fray thy fearful apricot?

Tiger, tiger, in Africa?
In the forests of apricot,
What immortal hand of paprika
Could freak thou, fearful, a free cat?

Tiger, tiger, in Africa?
In the forests a free cat,
What immortal hand of apricot
Could fry thou, fearful, in paprika?

Tradução:
Tigre, tigre, vasto tigre,
seu rugido me denigre,
seu couro será
minha confecção.
Tigre, tigre, vasto tigre,
mais vasto será meu calção.

escuta aqui

A mais recente prova do nocivo domínio do salamaleque na MPB: a melodia do refrão daquela música do ludov é um plágio da vinheta do Jornal Nacional.

E no seu apartamento
Ela se esquecia de tudo

então entram o William Bonner e a Fátima.

outubro 7, 2004

vovó e eu

VOVÓ: - E o Ademir da Guia, conseguiu se eleger?

MERCUCCIO imagina Ademir com o uniforme do Palestra ao lado de Lorde Cromwell, na Câmara dos Lordes: - Ah, conseguiu sim, haha.
VOVÓ: - Qual é mesmo o partido dele?
MERCUCCIO: - Haha, é o PC do B, hahaha.
VOVÓ: - Que partido é esse?

Mercuccio pensa em João Amazonas, Luiz Carlos Prestes, Olga, Marx, Prodhuon e Ademir da Guia, mas percebe que não teria paciência para explicar tudo isso e resume a resposta.

MERCUCCIO: - Ahah, PC do B é o partido do Aldo Rebelo, ahaha.
VOVÓ: E quem é Aldo Bebelo?
MERCUCCIO: - Ahahaha, Aldo Cabelo foi aquele que, ahahahaha, defendeu a adição de amido de mandioca na farinha de trigo, AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA, e também ele, ele, ahahahahai, ai, ai, ele, ahahahaha, ele criou a lei que proíbe o uso de palavras estrangeiras nos jornais, revistas e cartazes, para, ahahahahahahaha, para valorizar a língua portuguesa, AHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
VOVÓ: - Esse Aldo Cabelo é lingüista?
MERCUCCIO: - Lingüista? Só se for lingüiça. Ahahahahaha.
VOVÓ: - E por que o Ademir da Guia entrou para esse partido? Ele entende de lingüística? Ele entende de lingüiça?
MERCUCCIO: - Ahahahahaha, não sei, ahahahahaha, talvez ele entenda de amido de mandioca, ahahahahahaha!

cromwell.jpg
Lord Cromwell, que vetou a lingüiça e
impôs o amido de mandioca ao Parlamento.

DIVINO.jpg
Ademir da Guia, partidário do Professor Lingüiça,
apresentou a Lord Cromwell o amido de mandioca.

aldo cabelo.bmp
Aldo Cabelo recusou-se a ler a proibição
escrita na língua do dominador e
comeu lingüiça diante de Lord Cromwell,
que o condenou à forca e ao esquartejamento.

tia chomsky.jpg
Tia Chomsky, com quem
Aldo Cabelo aprendeu
a encher lingüiça.

outubro 4, 2004

o sol se converterá em trevas e a lua em sangue

(...)Todos gritam, aterrorizados:

- ELE VOLTOU!

Entra Dom Sebastião.


FIM DO SEGUNDO ATO.

[Foi comprar cigarros e não voltou; drama messianista em três atos, in "Obras Completas de Mercuccio", Tomo IV, pág 226.]

outubro 1, 2004

o índice de palavras malditas que provocam urticária

Quem diz "a sociedade apresenta conflitos e transformações; ela é dialética" cheira meia. Ou um dia vai cheirar.

o afeto que se encerra

"Cercado por estudantes imbecis, às 21 horas e 23 minutos de 20 de setembro de 2004 Mercuccio teve a revelação, a partir da recordação de Levi-Strauss: assim como a cidade de São Paulo havia passado da barbárie à decadência sem conhecer a civilização, assim também ele havia passado da timidez à misantropia sem conhecer a sociabilidade."

(O afeto que se encerra, autobiografia não-autorizada in "Obras Completas de Mercuccio", tomo VII, pág. 216.)