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dezembro 30, 2004

Once upon a time there lived in Berlin, Germany, a man called Albinus. He was rich, respectable, happy; one day he abandoned his wife for the sake of a youthful mistress; he loved; was not loved; and his life ended in disaster.

Perfeição e A pessoa em questão não encontrei, mas nos sebos da Praça João Mendes há edições de Fogo Pálido por R$ 5,00, tradução do Jorio Dauster. E a auto-biografia de Mary McCarthy, a criadora do mccarthismo, também sai pelo preço de um hambúrguer.

A pessoa em questão no original é Speak, Memory. Inicialmente o título seria Speak, Mnemosyne. Além de denominar a deusa da memória e mãe das Musas, Mnemosyne também é uma uma borboleta (Parnassius Mnemosyne), outra das paixões de Nabokov - mas tudo isso seria suprimido no título A pessoa em questão, em mais um caso de significado lost in translation.

Encontrei A vida real de Sebastian Knight na seção de biografias e Laughter in the Dark como Gargalhada na Escuridão, ambos em traduções do Brenno Silveira, R$ 5,00 cada. A melhor descoberta da semana, porém, foi O Arco-Íris da Gravidade, tradução do Paulo Henriques, por R$ 40,00. Antes de falir ainda vou criar um soneto em homenagem ao cartão-de-crédito (Ode ao VisaMastercard) e prometo ser um pouquinho melhor que Shade.


extra! extra! extra! extra!

o mundo acabará amanhã de manhã, mas ainda há tempo para the first-few-lines game.

E sim, há um trecho de uma música no início do post, mas não é de Cole Porter.

dezembro 29, 2004

temos curau e pamonhas

A caixa-de-comentários morreu e foi para o céu. Ao chegar lá, pegou duas maracas e começou a cantar:

It's Christmas in Heaven:
all the children sing
It's Christmas in Heaven
Hark hark those church bells ring'

It's Christmas in Heaven
The snow falls from the sky...
But it's nice and warm and everyone
Looks smart and wears a tie

It's Christmas in Heaven
There's great films on TV...
'The Sound of Music' *twice* an hour
And 'Jaws' I, II, *and* III

There's gifts for all the family
There' toiletries and trains...
There's Sony Walkman Headphones sets
And the latest video games!

It's Christmas It's Christmas in Heaven
Hip hip hip hip hip hooray
Every single day
Is Christmas Day!

It's Christmas It's Christmas in Heaven
Hip hip hip hip hip hooray
Every single day
Is Christmas Day!

dezembro 23, 2004

viva Jesus que plantou o mamão no jardim do Éden

Jesus é capital.

Um bem que te faz girar:

Viva Jesus que plantou o mamão no Jardim do Éden,
viva Jesus que brilhou estrelas, iluminou os céus.
Io-io-io, um bem que te faz girar,
io-io-io, aleluia, viva Jesus.

(Existe e não é minha; já ouvi 04 ou 05 gravações diferentes).

Feliz Natal.

bad, santa

Minha amiga nibelunga - não a Cremilda - perguntou se eu não gostei do Bad Santa; gostei sim: Billy Bob está muito bom, o pequeno gordinho de cachinhos dourados e bochechas rosadas está bom, o anão tem bons momentos e Lauren Graham dá conta do recado. Não há como não rir com a cena do emprego do anão sendo salvo por uma ameaça de denúncia de preconceito contra minorias, ou com o Billy Bob Santa sendo salvo de um estupro pelo cachinhos-dourados. O problema é que o filme não surpreende, é outra versão para a já clássica história do anti-herói rabugento que se torna mais gentil pelo convívio com pessoas sofridas, carentes e abandonadas. Surpreendente seria se Thurman e vovó mandassem todos para a cadeia, fugissem com o dinheiro e abrissem uma franquia de sanduíches em NY; ou se a garçonete matasse todos, inclusive o gerente Chipeska, que seria seu marido. Só não valeria se vovó tirasse a máscara e revelasse que era Chipeska, recurso já desgastado por John Woo e Scooby-Doo.

Nos próximos capítulos: a influência de Ritchie em filme de David Lynch e as referências a Wonka na obra de venerado cineasta. A propósito, venerado é sinônimo de infectado? Você sabe, ven - ah, deixa pra lá.

"o filho do vizinho pensa que é um samurai e passa o dia inteiro correndo e gritando em volta da casa"

Um ronin cego, combates e duelos, sangue criado por computação gráfica, humor, uma mulher bonita, um homem que parece uma mulher bonita, um homem feio que tenta parecer mulher para ficar bonito, cinco minutos de sapateado(!), final com muitas surpresas, criatividade, engenho e arte: Zatoichi.

Fiquei feliz pelo resto do dia.

E o filho do vizinho é um marmanjo que empunha uma lança, veste apenas chapéu e cueca e nunca pára de correr e gritar.

dezembro 21, 2004

Madame Mônica Pecegueiro do Amaral: aulas de tradução e trabalho de sopro

(uma retrospectiva insensível)

Madame Mônica Pecegueiro do Amaral tem horror ao trabalho de sopro mas dá aulas de tradução aos necessitados. Madame resolveu dar uma bolsa-de-estudos para Lúcia Guimarães depois de assistir à última edição do Manhattan Connection; Manoel Renha, brasileiro exilado em NY há 20 anos, tentava completar uma frase em português:

- A vitrine da Barnes é mais clássica, mais whimsical, mais...não consigo encontrar a palavra...
- Idiossincrática! - decretou Lúcia.

Foi lindo. Eu dei risada, Lucas Mendes deu risada e quem não havia entendido continuou sem entender nada.

Madame Mônica Pecegueiro é responsável pelas legendas de filmes de grande sucesso comercial. Para as legendas de Master and Commander ela traduziu "picture" como "foto"; nenhum problema, se a narrativa não se passasse no início do século XIX. No filme seguinte, Madame teve seu sobrenome creditado como "Peçegueiro". Nada mais justo.

Pelo título e pelo paráfrafo inicial o leitor pode enganar-se ao pensar que sou admirador de Elio Gaspari. Em 1998, para criticar a escolha de Brizola como candidato a vice-presidente de Lula, Gaspari comparou o erro do Sapo Barbudo a um determinado erro de Napoleão. Elio Gaspari temia tanto as patrulhas-ideológicas da inteligentsia petista que pediu desculpas antes de criticar, recorreu a uma crítica a um erro napoleônico para justificar sua crítica ao erro do Lula-Molusco. Pobre Napoleão, não merecia tanto.

Enquanto escrevo, Jair Rodrigues ainda repete na tv o discurso de 40 anos atrás: "quando derem vez ao morro toda cidade vai cantar". Pois bem, já deram vez ao morro e o que canta a cidade? Os mano pô, as mina pá, ratátátá mais um metrô vai passá e pocotó, pocotó, pocotó. Só isso? Much ado about nothing. Tomem de volta a vez que deram ao morro - e rápido, please?

Falemos de Maitê Proença: nunca li e não pretendo ler, pois não deve escrever crônicas-de-costumes melhores que as de Fingal O'Flahertie Wills. Devo reconhecer, porém, que é dona de belos joelhos. De Veríssimo, Cony e Aloysio não falaremos, porque não têm belos joelhos e porque há crianças na sala.

Enfim, Bad Santa is not so bad, mas saí do cinema com a impressão de que seria melhor ter visto Zatoichi. Sem legendas de Madame Mônica.

denúncia: Metrô promove segregação racial ao pôr foto de oriental no chão para ser pisada.

Por que só fotos de orientais? Exijo a implantação de cotas! Eu também quero pisar em fotos de hutus e tutsis!

ryan adams, gold

Dancin' where the stars go blue
Dancin' where the evening fell
Dancin' in your wooden shoes
In a wedding gown

Dancin' out on 7th street
Dancin' through the underground
Dancin' little marionette
Are you happy now?

Where do you go when you're lonely
Where do you go when you're blue
Where do you go when you're lonely
I'll follow you
When the stars go blue

Laughing with your pretty mouth
Laughing with your broken eyes
Laughing with your lover's tongue
In a lullaby

Where do you go when you're lonely
Where do you go when you're blue
Where do you go when you're lonely
I'll follow you
When the stars go blue
The stars go blue, stars go blue

dezembro 17, 2004

búúúúú, os reacionários vão te pegar

É realmente alarmante o reacionarismo em voga nestes dias.

Os reacionários dominam o Brasil. Os reacionários dominam o mundo. Os mais dignos representantes da opinião-pública norte-americana, européia e brasileira declamam discursos reacionários todas as semanas em nas tv's, rádios, jornais e revistas. Militantes reacionários promovem protestos simultâneos em Seattle, Davos, Londres, Milão, Veneza e São Paulo, contra tudo que se oponha ao reacionarismo. Fundações reacionárias como Ford e Rockfeller financiam ONGs que promovem o reacionarismo em países sub-desenvolvidos. Reacionários de todo o mundo encontram-se anualmente em Fóruns no Brasil e na Índia, onde desenvolvem novas estratégias para o avanço do reacionarismo - sempre patrocinados pelo capitaL-internacional reacionário, é claro.

A facilidade com que esse reacionários se mobilizam e desenvolvem projetos ao redor do globo é assustadora.

É um perigo esse reacionarismo.

Búúúúú.

Búúúúú.

com muito orgulho, com muito amor

Não costumo responder aqui às críticas feitas aos wunderblogs, geralmente porque alguém sempre responde primeiro, mas também por absoluta preguiça. Hoje abro uma exceção e reproduzo trecho de um post publicado por Andre Lopes, um parágrafo magnífico que eu nunca seria capaz de criar:

"Garrastazu, Stalin, Erasmo Dias, Franco, Lindomar Castilho, Nixon, Delfin, Ronaldo Boscoli, Baby Doc, Papa Doc, Mengele, Doca Street, Rockfeller, Afanásio, Dulcídio Wanderley Bosquila, Pinochet, Gil Gomes, Reverendo Moon, Jim Jones, General Custer, Flávio Cavalcanti, Adolf Hitler, Borba Gato, Newton Cruz, Sérgio Dourado, Idi Amin, Plínio Correia de Oliveira, Plínio Salgado, Mussolini, Truman, Khomeini, Reagan, Chapman, Fleury, wunderblogs.com"

Com muito orgulho, com muito amor.

dezembro 16, 2004

through the darkness of a future past

Reeditei o post abaixo, pois o final estava muito ruim. Esqueça a antiga versão eu te dou um donut, um pedaço de torta-de-cereja e um jogo de trilhos silenciosos para sua cortina.

dezembro 15, 2004

fire, walk with me

De acordo com a doutrina culinária da Sorveteria de Elêusis, a iniciação nos Mistérios Menores precede a iniciação nos Mistérios Maiores; logo, antes de cumprir a promessa de revelar o Grande Segredo da História do Cinema eu preciso revelar o Pequeno Segredo da História do Cinema. Ao contrário do Grande, o Pequeno Segredo não é muito importante, mas as tradições ritualísticas e filosóficas da Sorveteria sempre devem ser repeitadas, pelo bem da Ordem Cósmica e porque eles estão observando. Sim, eles; aqueles mesmos em quem você está pensando.

Dito isto, o Pequeno Segredo da História do Cinema é: A Bruxa de Blair não passa de uma imitação mal feita de um trecho do segundo episódio de Twin Peaks - os 05 segundos em que Bobby (Robert "Bobby" Briggs, não o Killer Bob) e Mike (Mike "Snake" Nelson, não o "Homem sem um braço") correm no bosque depois do encontro com Leo Johnson. (O programa-piloto não é considerado um episódio, então não confunda o segundo capítulo com o primeiro, que termina com a surra de Leo em Shelly.)

A propósito, o segundo episódio é um dos melhores da série: além do encontro de Mike e Bobby com Leo no bosque ("quem está aí com você?") há a chegada de Jerry Horne com os sanduíches franceses, a visita de Jerry e Ben ao Jack Caolho ("Shall I compare thee to a summer's day?"), MIguel Ferrer como o Agente Albert Rosenfield, as cenas dos trilhos silenciosos de Nadine, a dança de Audrey durante o almoço da famíla Hayward ("não me deixem esquecer de comprar lâmpadas de 60 watts"), a cena do "We've got to dance, Sarah!", o sonho do Agente Cooper com o anão ("I've got good news. That gum you like is going to come back in style.) e com o Homem-de-um-braço ("Through the darnkess of the future past, the magician longs to see. One chance out between two worlds: Fire, Walk With Me.") e a maravilhosa cena do Tibet.

Acima de tudo, em Twin Peaks David Lynch mostra um talento incomum para a criação de personagens; TODOS os personagens são deliciosos, excelentes, memoráveis, bem-desenvolvidos. Quando eu crescer quero criar personagens tão bons quanto os de Twin Peaks.

A televisão foi criada com o propósito de um dia apresentar ao mundo Twin Peaks. Exagero? Hmmm, então corrijo: a televisão foi criada com o propósito de um dia apresentar ao mundo Twin Peaks e o Flying Circus. E nem é preciso ser iniciado nos mistérios de Elêusis para perceber isso.

dezembro 14, 2004

os amigos de Charles Kinbote

Todos aqueles que conheço e que não costumam ler ficção ficaram espantados ao ver a capa de minha edição de Fogo Pálido, que traz a imagem de um revólver apontado para o leitor:

- O quê é isso?
- Quer me assaltar?
- Aaahhh!

Confundem representação com realidade. Men are weak and I am going to see Elvis.

Tenho vontade de sempre levar o livro em qualquer lugar só para aumentar o número de espantados. Na fila do banco:
- Uma arma! Bandido! Violência!

Na igreja:
- Olha o livro que você lê!

Na casa da sogra:
- Aaahhh!

Ridículo, muito ridículo; nunca imaginei que carregar um livro do Nabokov se tornaria uma forma de protesto; outra forma seria pregar 95 teses na porta da catedral, mas dessa conhecemos as consequências e já há baixo-clero demais por aí. Devo confessar que de protestos só conheci alguns avisos que recebi do cartório, todos liquidados antes do prazo; ainda assim sou um entusiasta de reivindicações, minh'alma anseia por protestar e estou pronto para aderir às nobres causas do dia - desde elas possam aguardar, pois agora é hora de voltar à piscina.

dezembro 10, 2004

"é blefe? é golpe? é picaretagem?"

A querida Caixa-de-Comentários von Doom mandou um pombo-correio da Lapônia, para perguntar sobre o post do Grande Segredo do Cinema. O pombo trouxe ainda um legítimo girassol das plantações do Conde; imagino o nobre von Doom arando a terra, com seu capuz verde, máscara e manoplas de aço, camisa xadrez amarela-e-vermelha com mangas dobradas nos cotovelos e calça jeans, tratando de suas tuplipas com o saco de adubo nas mãos; a caixa-de-comentários, de vestido amarelo e tranças no cabelo, corre ao encontro de seu amado e os dois se unem em um longo abraço entre os campos floridos dos vales da Lapônia.

Acalmai-vos, queridos amigos von Doom; o post virá em breve, não percais vossa fé no amor.

a segurança é nossa, a liberdade é sua

A edição de ontem do Jornal da Globo foi um exemplo de inteligência, elegância, eficiência e cara-de-pau: logo depois da reportagem sobre o assassinato do ex-guitarrista do Pantera (morto a tiros durante um show de sua nova banda) foi exibida a matéria sobre a destruição de milhares de armas de fogo em Brasília, como parte da Campanha Nacional do Desarmamento. Que beleza! Há muitos anos não via algo tão lindo na televisão! Obra de gênio! Fiquei emocionado, fui às lágrimas, aplaudi Ana Paula Padrão! E ainda há quem veja na mídia (e na Globo) "um complô do capital-internacional em oposição ao governo popular democraticamente eleito no Brasil"! Meus sais, meus sais, sim?

caía à tarde aos tombos Seu Madruga

Finalmente uma campanha pela qual vale lutar: queremos a volta d

- da caixa-de-comentários!

não; a caixa-de-comentários está muito bem em seu exílio na Lapônia, vive a grande paixão de sua vida (sic) ao lado do conde von Doom, que em nome do inesperado romance abandonou seus planos de conquista do mundo e agora dedica-se ao cultivo de crisântemos, begônias e girassóis.

A real campanha pela qual vale a pena lutar é QUEREMOS A VOLTA DO FELIPE ORTIZ! Já temos até a canção de protesto para nossos militantes:

sonha com a volta do Felipe Ortiz
e tantas gentes tão gentis
sem nabo e sem planeta...

Aqui vai o início, atendendo ao seu pedido:

Caía à tarde aos tombos Seu Madruga
e um bêbado tramando fuga
me lembrou Chavito...


[Live Update]: Dona Caixa-de-comentários e seu marido, conde von Doom, enviaram sinais-de-fumaça para dizer que não sei fazer paródias. Respondi que se o Aldir pode rimar "Henfil" com "partiu" eu também posso rimar "Ortiz" com "gentis" e mandei o nobre casal cuidar de suas tulipas.

trevas sobre a face de Anna Paquin

Como castigo por ter me atrasado para a pré-estréia dos Incríveis assisti Darkness, genialmente traduzido como A Sétima Vítima. Anna Paquin está linda como nunca mas o filme segue a atual e irritante tendência de aliar razoável qualidade estética (em fotografia, montagem, cenários) à deplorável qualidade narrativa. As previsíveis citações a Poltergeist, O Exorcista e O Iluminado não compensam a previsibilidade do roteiro demoníaco (sim, demoníaco porque nega qualquer possibilidade de redenção e não apenas pelo tema dos sacrifícios humanos). O pior é o pouco cuidado com os personagens, a falta de gentileza, terrível; Anna merecia algo melhor.

dezembro 9, 2004

"Polyvio Kossivas para presidente do Brasil!"

Menos, menos; de barbudo salvador-da-pátria já basta o similar nacional.

E a caixa-de-comentários foi ali dar um presente ao grego. Ela estava indecisa entre um cavalo de madeira e um churrasquinho-helênico; minhas sugestões foram a nacionalidade araruama ou a urna-eletrônica de Pandora. Cesar Maia com certeza daria ao grego a chave da Maravilhosa; talvez até uma cadeira na Câmara dos Lordes, ao lado do deputado Chico Xavier e dos Marimbondos de Ressaca. Kossivas não fugiria à inércia dominante no Cangaço, mas poderia ser um perfeito substituto ao Ulisses tupiniquim, tragado por um mar sem Ciclopes nem sereias líricas, que vexame, meu Deus.


[Live Update]: A caixa-de-comentários voltou para me dizer que este post é absolutamente auto-contraditório, mas eu não me deixei envenenar por seu cântico suave: fechei os ouvidos dos marujos com cera e pedi que me amarrassem ao mastro, em nova contradição, que vexame, meu Deus.

dezembro 7, 2004

Ooooh, fishy, fishy, fishy fish!

Diogo Mainardi, que a tapas e pontapés tornou-se autor de um best-seller sobre o Bananão e o presidente Banana Joe, iniciou sua carreira literária com a publicação de Malthus. Os contos FEB e Sra. Rio Branco lembram o Oswald de Andrade de Serafim Ponte Grande; a novela que dá título ao livro lembra Flann O'Brien. Voltaremos com uma resenha mais detalhada após o recado de nossos patrocinadores.

Aproveito para anunciar, com muita humildade e falta de pretensão, que nos próximos dias enfim revelarei o Grande Segredo da História do Cinema; minha tese, fundamentada em documentação legítima e de boa procedência, seguirá os mais rigorosos padrões do método científico e transbordará em coerência intrínsica, interna, intra-venosa e orto-molecular; para tanto, precisarei apenas gastar mais do que queria em DVD's do falecido Stanley - morto, sepultado, embalsamado, celebrado e juramentado.

E agora, com vocês, aquele que ainda será considerado o melhor interlúdio de uma categoria qualquer da literatura da Basiléia:

STRANGE MAN:
I wonder where that fish has gone.
STRANGE WOMAN:
You did love it so. You looked after it like a son.
STRANGE MAN:
And it went wherever I did go.
STRANGE WOMAN:
Is it in the cupboard?
AUDIENCE:
Yes! Yes! No!...
STRANGE WOMAN:
Wouldn't you like to know? It was a lovely little fish.
STRANGE MAN:
And it went wherever I did go.
MAN IN AUDIENCE:
It's behind the sofa!
STRANGE WOMAN:
Where can that fish be?
MAN IN AUDIENCE:
Have you thought of the drawers in the bureau?!
RANDOM:
Shh!
STRANGE WOMAN:
It is a most elusive fish!
STRANGE MAN:
And it went wherever I did go.
STRANGE WOMAN:
Ooooh, fishy, fishy, fishy fish!
STRANGE MAN:
A-fish, a-fish, a-fish, a-fishy, ooooh.
STRANGE WOMAN:
Ooooh, fishy, fishy, fishy fish!
STRANGE MAN:
That went wherever I did go.


Mudança nos planos: a verba destinada aos DVD's do Kubrick será aplicada na caixa do Kung Fu do Carradine. Ou na caixa dos Marx. O Grande Segredo da História do Cinema fica para 2005, se você não fizer a descoberta sozinho ao rever as reprises da sessão da tarde. Ooompa-loompa-doompa-de-do.

síndrome de Rosemary

Depois de uma semana de sucessivas demonstrações de inaptidão e erro na escolha vocacional procurei meu patrão, disposto a pedir uma transferência, ou demissão, ou um aumento no salário, ou a filha dele em casamento, ou a vice-presidência de operações da empresa. Para minha surpresa ele não me concedeu nenhum dos meus desejos mas gastou 01 hora com elogios a minha eficiência profissional. Mais uma vez fica comprovada minha total incapacidade de compreensão do mundo dos negócios; fosse eu o gerente de um empregado como eu e eu já estaria demitido há muito tempo, assim como os reponsáveis por minha admissão e por minhas avaliações superestimadas e fora da realidade.
Meu maior temor agora é seguir o exemplo de Rosemary - a mãe do bebê de Rosemary - e passar a acariciar o monstrinho - o trabalho, não o patrão; mas acariciar a filha do patrão não seria má idéia.

dezembro 2, 2004

há vaga. temos cotas.

O atentado terrorista contra a caixa-de-comentários livrou-me daquele comentarista insidioso, o Mercuccio. E daquele outro insuportável, Dom Sebastião, o restaurador imperial que imagina ser ansiosamente aguardado por milhões de cortesãos e pela esposa do armador grego, como se você não tivesse mais o que fazer.

Continuam os ensaios para o novo clássico natalino, Vamos fazer reforma-agrária. Harpa, fagote e gaita-de-foles já estão entrosados. Há vaga para zabumba. Temos cotas para anões.

vai ser agrária, ferroviária

who wash the washers?

O Estado em ação contra os terroristas: ontem, após 15 minutos de intenso interrogatório, policiais em 02 viaturas capturaram um perigoso terrorista disfarçado de office-boy. O criminoso internacional vestia camiseta e calça jeans, e transportava em um envelope pardo lixo-tóxico, provavelmente a versão condensada de "O Capital" da Editora Conrad. Hoje, bravos combatentes mostraram toda sua agilidade na captura de outro perigoso terrorista internacional, o famoso "libanês da bengala assassina". Ao tentar entrar em uma agência bancária o terrorista foi barrado pela porta automática e, enfurecido, chamou o vigilante negro de "negro!". O vigilante estranhou a atitude suspeita do portador da bengala e imediatamente fez a denúncia aos agentes da lei.

Como é bom saber que o Estado zela por minha segurança! Como é bom saber que estou a salvo destes perigosos terroristas! Posso embalar meus sonhos primaveris sem temer o uso de armas de destruição em massa como o CD da Preta Gil, o jornal Hora do Povo ou o filme "Peões" por terroristas como os Calibans, Rosana e Emir, o Marquês de Sader.

Pensei que o filme "Peões" narrasse as aventuras de Ana Raio e Zé Trovão, mas depois percebi que deve ser um filme para huguenotes, pois os jornais disseram que o diretor cortou uma cena sobre alguém que "bebia muito, bebia mesmo!". Não temam, huguenotes e puritanos, o Estado também zela por vocês!

wunderblogs under attack

Pane nos comentários. A visão dos pin-ups da corja provocou o crescimento do PIB do aiatolá, o que muito desgostou o mullá. A TV Educativa exibiu um vídeo de barbudinhos brandindo laptops na rodoviária FFLCH aos gritos de "Destrua o capitalismo!", "Morte à direita-festiva!" e "Me chama de Ronald McDonald!". Dante Gabriel R aumentou a vigilância em todas as entradas e não dá mais as costas para ninguém. A secretária de Estado Condoreira NeoFalcon declarou que a segurança das Torres Gêmeas foi reforçada em São Caetano do Sul e no Jardim Paulista.

Enquanto isso, vamos fazer reforma-agrária:

Vamos fazer reforma-agrária,
comunitária, ferroviária,
vamos vazer reforma-agrária,
Eufrázia e Eulária, inflacionária
. (sic)

dezembro 1, 2004

taras bulba

Também quero postar fotos de garotos. Hmmm

nabokov.jpg

Vlad, o malvado,
com carinha de santo.


groucho.jpg

Marx, o filósofo do bigode-gigante.


chavo.jpg

troque seu cachorro por uma criança pobre.


joyce.gif

retrato do artista quando pirata da perna-de-pau,
do olho-de-vidro e da cara-de-mau. ai.


pynchon.jpg

o dentucinho do arco-íris.
que gravidade!


Cleese.jpg

ah, como era grande aquele pé!


sponge.jpg


the love song of J. Alfred Prufrock

S’io credesse che mia risposta fosse
A persona che mai tornasse al mondo,
Questa fiamma staria senza piu scosse.
Ma perciocche giammai di questo fondo
Non torno vivo alcun, s’i’odo il vero,
Senza tema d’infamia ti rispondo.

LET us go then, you and I,
When the evening is spread out against the sky
Like a patient etherised upon a table;
Let us go, through certain half-deserted streets,
The muttering retreats 5
Of restless nights in one-night cheap hotels
And sawdust restaurants with oyster-shells:
Streets that follow like a tedious argument
Of insidious intent
To lead you to an overwhelming question … 10
Oh, do not ask, “What is it?”
Let us go and make our visit.

In the room the women come and go
Talking of Michelangelo.

The yellow fog that rubs its back upon the window-panes, 15
The yellow smoke that rubs its muzzle on the window-panes
Licked its tongue into the corners of the evening,
Lingered upon the pools that stand in drains,
Let fall upon its back the soot that falls from chimneys,
Slipped by the terrace, made a sudden leap, 20
And seeing that it was a soft October night,
Curled once about the house, and fell asleep.

And indeed there will be time
For the yellow smoke that slides along the street,
Rubbing its back upon the window-panes; 25
There will be time, there will be time
To prepare a face to meet the faces that you meet;
There will be time to murder and create,
And time for all the works and days of hands
That lift and drop a question on your plate; 30
Time for you and time for me,
And time yet for a hundred indecisions,
And for a hundred visions and revisions,
Before the taking of a toast and tea.

In the room the women come and go 35
Talking of Michelangelo.

And indeed there will be time
To wonder, “Do I dare?” and, “Do I dare?”
Time to turn back and descend the stair,
With a bald spot in the middle of my hair— 40
[They will say: “How his hair is growing thin!”]
My morning coat, my collar mounting firmly to the chin,
My necktie rich and modest, but asserted by a simple pin—
[They will say: “But how his arms and legs are thin!”]
Do I dare 45
Disturb the universe?
In a minute there is time
For decisions and revisions which a minute will reverse.

For I have known them all already, known them all:—
Have known the evenings, mornings, afternoons, 50
I have measured out my life with coffee spoons;
I know the voices dying with a dying fall
Beneath the music from a farther room.
So how should I presume?

And I have known the eyes already, known them all— 55
The eyes that fix you in a formulated phrase,
And when I am formulated, sprawling on a pin,
When I am pinned and wriggling on the wall,
Then how should I begin
To spit out all the butt-ends of my days and ways? 60
And how should I presume?

And I have known the arms already, known them all—
Arms that are braceleted and white and bare
[But in the lamplight, downed with light brown hair!]
It is perfume from a dress 65
That makes me so digress?
Arms that lie along a table, or wrap about a shawl.
And should I then presume?
And how should I begin?
. . . . .
Shall I say, I have gone at dusk through narrow streets 70
And watched the smoke that rises from the pipes
Of lonely men in shirt-sleeves, leaning out of windows?…

I should have been a pair of ragged claws
Scuttling across the floors of silent seas.
. . . . .
And the afternoon, the evening, sleeps so peacefully! 75
Smoothed by long fingers,
Asleep … tired … or it malingers,
Stretched on the floor, here beside you and me.
Should I, after tea and cakes and ices,
Have the strength to force the moment to its crisis? 80
But though I have wept and fasted, wept and prayed,
Though I have seen my head [grown slightly bald] brought in upon a platter,
I am no prophet—and here’s no great matter;
I have seen the moment of my greatness flicker,
And I have seen the eternal Footman hold my coat, and snicker, 85
And in short, I was afraid.

And would it have been worth it, after all,
After the cups, the marmalade, the tea,
Among the porcelain, among some talk of you and me,
Would it have been worth while, 90
To have bitten off the matter with a smile,
To have squeezed the universe into a ball
To roll it toward some overwhelming question,
To say: “I am Lazarus, come from the dead,
Come back to tell you all, I shall tell you all”— 95
If one, settling a pillow by her head,
Should say: “That is not what I meant at all.
That is not it, at all.”

And would it have been worth it, after all,
Would it have been worth while, 100
After the sunsets and the dooryards and the sprinkled streets,
After the novels, after the teacups, after the skirts that trail along the floor—
And this, and so much more?—
It is impossible to say just what I mean!
But as if a magic lantern threw the nerves in patterns on a screen: 105
Would it have been worth while
If one, settling a pillow or throwing off a shawl,
And turning toward the window, should say:
“That is not it at all,
That is not what I meant, at all.”
. . . . . 110
No! I am not Prince Hamlet, nor was meant to be;
Am an attendant lord, one that will do
To swell a progress, start a scene or two,
Advise the prince; no doubt, an easy tool,
Deferential, glad to be of use, 115
Politic, cautious, and meticulous;
Full of high sentence, but a bit obtuse;
At times, indeed, almost ridiculous—
Almost, at times, the Fool.

I grow old … I grow old … 120
I shall wear the bottoms of my trousers rolled.

Shall I part my hair behind? Do I dare to eat a peach?
I shall wear white flannel trousers, and walk upon the beach.
I have heard the mermaids singing, each to each.

I do not think that they will sing to me. 125

I have seen them riding seaward on the waves
Combing the white hair of the waves blown back
When the wind blows the water white and black.

We have lingered in the chambers of the sea
By sea-girls wreathed with seaweed red and brown 130
Till human voices wake us, and we drown.

the love song of richard henry sellers

Who's the lovin' daddy with the beautiful eyes
What a pair o' lips, I'd like to try 'em for size
I'll just tell him, "Baby, won't you swing it with me"
Hope he tells me maybe, what a wing it will be
So, I said politely "Darlin' may I intrude"
He said "Don't keep me waitin' when I'm in the mood"


First I held him lightly and we started to dance
Then I held him tightly what a dreamy romance
And I said "Hey, baby, it's a quarter to three
There's a mess of moonlight, won't-cha share it with me"
"Well" he answered "Baby, don't-cha know that it's rude
To keep my two lips waitin' when they're in the mood"

In the mood, that's what he told me
In the mood, and when he told me
In the mood, my heart was skippin'
It didn't take me long to say "I'm in the mood now"

In the mood for all his kissin'
In the mood his crazy lovin'
In the mood what I was missin'
It didn't take me long to say "I'm in the mood now"

in the mood

Master impressionist Peter Sellers was born Richard Henry Sellers on September 8, 1925 in Southsea, Hampshire, England. His parents, Agnes (Peg) and Bill Sellers, called him Peter in memory of his stillborn older brother. Sellers' parents were vaudeville entertainers, and at two days old, Sellers was carried onto the stage at King's Theatre. He spent his childhood traveling the vaudeville circuit, where he gained a fondness for entertaining and a desire to succeed beyond the realm of vaudeville.

As a youth, Sellers attended Miss Whitney's School of Dancing in Southsea and Madame Vacani's Dancing Classes in London before enrolling in St Aloysius' Boarding and Day School for Boys. In the early 1940s, Sellers played the drums with touring jazz bands and also learned to play the banjo and ukulele. Just after his 18th birthday, Sellers was drafted into the British Royal Air Force. He became an official RAF concert entertainer, and between 1943 and 1946, Sellers spent his free time performing comedy sketches and playing the drums for the other servicemen.

After returning home from the war, Sellers pursued a position with the British Broadcasting Corporation (BBC). By 1948 he had taken part in a few moderately successful auditions, none of which had resulted in an invitation to join the BBC. Having grown impatient for stardom, Sellers chose to take matters into his own hands. The comic made a telephone call to Roy Speer, producer of the BBC radio program, "Show Time." Sellers posed as a popular radio star and recommended himself to Speer. The producer, impressed with Sellers' "acting," gave him a spot on the air. Following his initial appearances on "Show Time," Sellers became a sought-after radio personality.

On the long-running BBC radio show, "Crazy People" (later called "The Goon Show"), Sellers established himself as a master impressionist. The show's zany collection of skits and Sellers' outrageous characters, including Major Bloodnok, Bluebottle and Henry Crun, have been recognized as the predecessors to Monty Python's Flying Circus. "The Goon Show" provided Sellers with a showcase for his improvisational skills as well as an outlet for life's frustrations.

By the time "The Goon Show" was canceled in January 1960, Sellers had earned the exposure necessary to begin a career in film. After appearing in several British pictures, Sellers achieved success in the U.S. with "The Mouse That Roared" (1959). In 1960 he received international attention for his role in the film "The Millionairess," in which he co-starred with Sophia Loren.
The incredibly versatile Sellers could slip in and out of characters with surprising speed. His genius was displayed through his depiction of multiple characters in "Mouse" as well as in several other films throughout his career. "Dr. Strangelove" (1964), considered Sellers' best film, earned him his first Oscar nomination in 1965. In 1963, Sellers introduced the world to his best-known character, Inspector Clouseau, The Pink Panther's bumbling master of disguise. There were four sequels to this successful comedic film: A Shot in the Dark (1964), The Return of the Pink Panther (1974), The Pink Panther Strikes Again (1976), and Revenge of the Pink Panther (1978). 1982's Trail of the Pink Panther is a posthumous collection of outtakes from the previous Panther films combined with new footage of other cast members.

Sellers garnered his second Oscar nomination for the critically acclaimed film, Being There (1979), in which he played the child-like Chance, a gardener mistaken for an economic guru. Sellers' controlled performance was key to the success of this subtle comedy. The comedian's film career ended just before his death in 1980, with The Fiendish Plot of Fu Manchu.

Though Sellers was a great success professionally, he did not fare as well in the personal realm. The son of an overprotective, controlling mother, Sellers often behaved like a child, throwing tantrums and demanding his wives' undivided attention. Sellers married four times, to Anne Howe (Sept. 15, 1951), Britt Ekland (Feb. 19, 1964), Miranda Quarry (Aug. 24, 1970) and Lynne Frederick (Feb. 18, 1977). He also sired three children: Michael (April 2, 1954), Sarah (Oct. 16, 1957) and Victoria (Jan. 20, 1965). Sellers' wives and children were forced to suffer the effects of living with an obsessive perfectionist whose attentions focused mainly on himself and his career.

After appearing in over 60 films as well as on numerous radio and television shows throughout his career, Sellers died of a heart attack on July 24, 1980. Displaying his unending sense of humor, the comic said good-bye with one last joke. At Sellers' request, the song "In The Mood" was played at his funeral, a tune that he hated. According to biographer Roger Lewis, Sellers had told his son Michael that the song was "wonderfully inappropriate - hence, wonderfully appropriate - for solemn occasions."

Wisdom is the province of the aged, but the heart of a child is pure. [repost]

Hrundi V. Bakshi, Gentleman.

Hrundi V. Bakshi: - Hrundi V. Bakshi.
Michelle Monet: - Pardon?
Hrundi V. Bakshi: - That is what my name is called.

Hrundi V. Bakshi: - We have a saying in India...
Michelle Monet: - Yes?
Hrundi V. Bakshi: - Yes.
Michelle Monet: - Well?
Hrundi V. Bakshi: - Well what?

Hrundi has sounded form the trumpet that shall never call retreat.