AGORA VAI!
Marcelino Freire, Joca Reiners Terron, João Gilberto Noll, Milton Hatoum, Ignácio de Loyola Brandão, Moacyr Scliar, Glauco Matoso, Nei Lopes, João Silvério Trevisan, Manoel Carlos Karam, Sylvio Back, Nelson de Oliveira, Ferréz, Xico Sá, Lourenço Mutarelli, Ronaldo Bressane, Fabrício Carpinejar, Clarah Averbuck e Daniela Abade são alguns dos 181 escritores que assinaram o manifesto Temos Fome de Literatura , entregue ao Ministro da Cultura no fim do ano passado. Uma das principais reivindicações dos artistas é a criação do Fundo Nacional da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas, com 30% das verbas destinadas diretamente ao Fomento à Criação e Circulação Literária.
O Movimento Literatura Urgente e seu manifesto são tão ridículos que tornam desnecessária uma enfadonha crítica detalhada; melhor é recordar biografias:
Durante o exílio em Berlim, entre 1923 e 1938, Vladamir Nabokov foi professor de tênis: "(...)como um autômato entediado, sob as nuvens lentas de longos dias de verão, em quadras empoeiradas, rebatia por cima da rede uma quantidade infinita de bolas para garotas bronzeadas de cabelos encaracolados". Em 1958, como professor de literatura na Universidade de Cornell, nos EUA, Nabokov deu aula para Thomas Pynchon, que nos anos seguintes foi disc-jóckey e engenheiro da Companhia Boeing. Com a publicação de V. em 1962, Pynchon recebeu o Prêmio William Faulkner, batizado em homenagem ao filho de fazendeiros falidos que trabalhou como vendedor de carros, lavador de pratos, segurança e carteiro - e que em uma entrevista declarou:
"O escritor não precisa de liberdade econômica. Tudo de que precisa é de lápis e papel. Eu nunca soube que algo bom em literatura tivesse se originado da aceitação de uma oferta gratuita de dinheiro. O bom escritor nunca pede auxílio a uma instituição cultural. Está ocupado demais escrevendo alguma coisa. Se não é um escritor de primeira classe, ilude-se dizendo que não tem tempo ou liberdade econômica. Pode surgir arte boa de assaltantes, contrabandistas ou ladrões de cavalos. As pessoas na verdade têm medo de descobrir que podem suportar muita adversidade e pobreza. Têm medo de descobrir que são mais resistentes do que pensam. Nada pode destruir o bom escritor. A única coisa que pode alterar o bom escritor é a morte. Os bons não têm tempo para pensar no sucesso ou em ganhar dinheiro. O sucesso é feminino e como uma mulher; se você se curva diante dela, ela passa por cima de você. Então o jeito de tratá-la é dar-lhe as costas da mão. Aí, talvez, ela venha a rastejar".
Boa literatura? Brasileiro quer ser boa-vida, isso sim.

