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agosto 31, 2005

but love is not a victory march

Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew her
She tied you to a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah, Hallelujah

esqueça

Esqueça se ele não te ama
Esqueça se ele não te quer
Não chore mais não sofra assim
Porque posso te dar amor sem fim

Ele não pensa em querer-te
Te faz sofrer e até chorar
Não chore mais vem pra mim, vem
Não sofra, não pense
Não chore mais meu bem

I wanna know what's inside you

Sweet dreams are made of this
Who am I to disagree?
Travel the world and the seven seas
Everybody's looking for something
Some of them want to use you
Some of them want to get used by you
Some of them want to abuse you
Some of them want to be abused

com a palavra, Didi Mocó Sonrisal Colesterol:

didi.jpg
Acuma? Caflito?

XXXIV
When you state a question or an argument, and your opponent gives you no direct answer or reply, but evades it by a counter-question or an indirect answer, or some assertion which has no bearing on the matter, and, generally, tries to turn the subject, it is a sure sign that you have touched a weak spot, sometimes without knowing it. You have, as it were, reduced him to silence. You must, therefore, urge the point all the more, and not let your opponent evade it, even when you do not know where the weakness which you have hit upon really lies.


agosto 26, 2005

você tão linda nesse vestido, você provoca minha libido

O país que patrulhava Tom Jobim, patrono da direita festiva, ainda é o mesmo que patrulha o pagodeiro que cantou para Bush Filho e chorou ao receber o abraço do senhor da guerra. Não por acaso Jobim dizia que aqui o sucesso é ofensa pessoal.

Walter Salles Jr., famoso pelo filme do perdão e dos sentimentos bonitos, saiu do auditório durante a homenagem a Elia Kazan, Judas, amigo de Joe McCarthy. Não por acaso aquele cantor do limão e do limoeiro foi promovido a Joe McCarthy por quem não perdia e não perde a oportunidade para berrar: Barrabás! Barrabás!

Muito rancorosos e pelos motivos errados.

Vou evitar o clichê do velho Ari sobre o espanto mas entrego que Bernanos chegou perto: as gentes deixam de acreditar no que é simples porque lhes parece absurdo e preferem crer em absurdos maiores porque gostam de pensar que são complexos e inteligentes. Seus heróis morreram de gnose.

Quem vigia os vigilantes pode perguntar onde enfiei a coerência entre Jobim e Mirosmar; MOBRAL quem, cara-pálida? Nem vou falar do péssimo gosto musical do George Filho, bobalhão, caipirapirapora, nossa. As cortinas são as pálpebras da casa; se a luz que há em ti bater na trave não poderá o arqueiro tirar o olho do teu irmão?

Manso e humilde de coração, espero pouco de todos; de você, R$69,50.



agosto 24, 2005

espaiando esse brasilzão pelos 04 canto desse mundo véio sem porteira

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Fizemo a urtima viage
Foi lá pra estação de Istocuai.
Fui eu e o Chico Mineiro
também foi os policiai.
Viajemo muitos dia
pra chega em Reino Unido
aonde noi passemo uns mêis
com os visto vincido.
Ingraterra tava tão boa
mas ante não tivesse ido
o Chico foi baleado
por um ingrêis desenxabido.
Larguei de cumprá goiabada.
Mataram meu cumpanheiro.
Acabou o som da viola,
acabou seu Chico Mineiro.

agosto 23, 2005

"cinema brasileiro bom é cinema brasileiro morto" - Le Supérieur Inconnu

Luiz Carlos Merten me pediu: "por amor ao cinema, por amor ao Brasil, assista esse filme"; eu, que sou brasileiro e não resisto nunca, assisti.

02 Filhos de Francisco conta a história de uma pobre família do interior do Brasil. Depois da morte de Seu Francisco e Dona Helena, seus filhos Mirosmar e Welson lutam pela sobrevivência combatendo os extraterrestres que violam sepulturas e transformam cadáveres em zumbis em Pirenópolis, Rhode Island.

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Seu Francisco (Tor Johnson) e Dona Helena (Vampira)
saem das catacumbas ao som de "É o amooor".

Não era isso? Damn it, espere, espere.

Em 02 Filhos de Francisco, Dona Helena conhece Seu Francisco em um pet-shop. Ela quer comprar um maitá para sua tia, ele quer um casal de periquitos para sua irmãzinha. Dona Helena resolve fazer uma surpresa e leva os periquitos até a casa de Seu Francisco, em Bodega Bay, Goiás. Ao chegar lá, Dona Helena canta "diiiga, se te deixei faltar amooor" e é atacada por uma gaivota.

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Dona Helena (Tippi Hendre) à saída do show "Wanessa Camargo nas Asas da Paixão".

Errei de novo? Calma, vou tentar mais uma vez.

02 Filhos de Seu Chico narra o romance de Francisco, zoólogo, e Helena, maluqinha, a partir de um primeiro encontro casual no Cube de Golfe de Goiânia. Francisco trabalha no Museu de História Natural e ajuda Helena a capturar o leopardo que ela daria de presente a sua tia milionária, Inezita, apesar de não existirem leopardos em Connecticut.

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"Pare!
Até quando você quer mandar
E mudar minha vida?"


***


Já está disponível em DVD "Vida e morte de Peter Sellers".

agosto 18, 2005

Brasília de Dirceu

PARTE I

Lira I

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Eu, Brasília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;
De tosco trato, d' expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio curral, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Brasília bela,
Graças à minha Estrela!

Lira IV

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Se estavas alegre,
Dirceu se alegrava;
Se estavas sentida,
Dirceu suspirava
À força da dor.
Brasília, escuta
Um triste Doutor.

Movida, Brasília,
De tanta ternura,
Nos braços me deste
Da tua fé pura
Um doce penhor.
Brasília, escuta
Um triste Doutor.

Tu mesma disseste
Que tudo podia
Mudar de figura;
Mas nunca seria
Teu peito traidor
.
Brasília, escuta
Um triste Doutor.

Tu já te mudaste;
E a faia frondosa,
Aonde escreveste
A jura horrorosa,
Tem todo o vigor.
Brasília, escuta
Um triste Doutor.

Mas eu te desculpo
Que o fado tirano
Te obriga a deixar-me
;
Pois basta o meu dano
Da sorte, que for.
Brasília, escuta
Um triste Doutor.

Lira V

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Mas como discorro?
Acaso podia
Já tudo mudar-se
No espaço de um dia
?
Existem as fontes,
E os freixos copados;
Dão flores os prados,
E corre a cascata,
Que nunca secou.
São estes os sítios?
São estes; mas eu
O mesmo não sou.
Brasília, tu chamas?
Espera, que eu vou
.

Lira VIII

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Brasília, de que te queixas?
Não te pagou Dirceu
O sincero mesadão?
Não te deu também o seu?
E tu, Brasília, primeiro
Não lhe encheste o cuecão?
Todos pagam: só Brasília
Desta Lei da Natureza
Queria ter isenção?

Lira IX

Eu sou, gentil Brasília, eu sou cativo;
Porém não me venceu a mão armada
De ferro, e de furor:
Uma alma sobre todas elevada
Não cede a outra força, que não seja
A tenra mão de amor.

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Arrastem pois os outros muito embora
Cadeias nas bigornas trabalhadas
Com pesados martelos:
Eu tenho as minhas mãos ao carro atadas
Com duros ferros não, com fios d'ouro,
Que são os teus cabelos.

Lira XI

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Mal repito BRASÍLIA, as doces aves
Mostram sinais de espanto
;
Erguem os colos, voltam as cabeças,
Param o ledo canto:
Move-se o tronco, o vento se suspende;
Pasma o gado, e não come:
Quanto podem meus versos! Quanto pode
Só de Brasília o nome!

Lira XII

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"Morre, tirano;
Morre, inimigo."
Mal isto digo,
Raivoso o aperto
Nos braços meus.
Tanto que o moço
Sente apertar-se,
Para salvar-se
Também me aperta
Nos braços seus.

Lira XIII

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Ah! também quanto
Dirceu obrara,
Se precisara
Brasília bela
De esforço seu!
Rompera os mares
C'o peito terno,
Fora ao Inferno,
Subira ao Céu.

Lira XVI

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Eu, Genoíno, não duvido
Ser a tua Erundina amada
gestora formosa,
gestora engraçada,
Vejo a sua cor-de-rosa,
Vejo o seu olhar divino,
Vejo os seus purpúreos beiços,
Vejo o peito cristalino;
Nem há coisa, que assemelhe
Ao crespo cabelo louro.
Ah! que a tua Erundina vale,
Vale um imenso tesouro!

Sim, Erundina é uma Deusa;
Mas anima a formosura
De uma alma de fera;
Ou inda mais dura.

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Ah! quando Dirceu pondera
Que o seu Genoíno suspira,
Perde, perde o sofrimento,
E qual enfermo delira!
Tenha embora brancas faces,
Meigos olhos, fios de ouro,
A tua Erundina não vale,
Não vale imenso tesouro.

Lira XVII

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Quando há, Brasília,
Alguma festa
Lá na floresta
,
(Fala a verdade)
dança com esta
o bom Dirceu?
E se ela o busca,
Vendo buscar-se
Não se levanta,
Não vai sentar-se
Ao lado teu?

Lira XVIII

Não vês aquele velho respeitável
Que à muleta encostado
Apenas mal se move, e mal se arrasta
?
Oh! quanto estrago não lhe fez o tempo!
O tempo arrebatado,
Que o mesmo bronze gasta.

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Lira XIX

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Enquanto pasta alegre o manso gado,
Minha bela Brasília, nos sentemos
À sombra deste cedro levantado.
Um pouco meditemos
Na regular beleza,
Que em tudo quanto vive, nos descobre
A sábia natureza.

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Atende, como aquela vaca preta
O novilhinho seu dos mais separa,
E o lambe, enquanto chupa a lisa teta
.
Atende mais, ó cara,
Como a ruiva cadela
Suporta que lhe morda o filho o corpo
,
E salte em cima dela.

Lira XXIII

Num sítio ameno
Cheio de rosas,
De brancos lírios,
Murtas viçosas;

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Dos seus amores
Na companhia
Dirceu passava
Alegre o dia.

Lira XXVII

Eu lhe respondo: "Perjuro,
"Nada creio do que dizes;
"Porque já te fui sujeito,
"Inda conservo no peito
"Estas frescas cicatrizes.

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PARTE II

Lira II

Eu tenho um coração maior que o mundo!
Tu, formosa Brasília, bem o sabes:
Um coração..., e basta,
Onde tu mesma cabes.

Lira III

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Há de, Brasília, mudar-se
Do destino a inclemência;
Tenho por mim a inocência,
Tenho por mim a razão.
Muda-se a sorte de tudo;
Só a minha sorte não?

Qual eu sou, verá o mundo;
Mais me dará do que eu tinha,
Tornarei a ver-te minha
;
Que feliz consolação!
Não há de tudo mudar-se;
Só a minha sorte não.

Lira XI

Quando levares, Brasília,
Teu ledo rebanho ao prado,
Tu dirás: "Aqui trazia
"Dirceu também o seu gado."

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Quando à janela saíres,
Sem quereres, descuidada,
A minha pobre morada.
Tu dirás então contigo:
"Ali Dirceu esperava
"Para me levar consigo;
E ali sofreu a prisão."
Mandarás aos surdos Deuses
Novos suspiros em vão.

Quando vires igualmente
Do caro Sarney a choça,
Onde alegre se juntavam
Os poucos da escolha nossa,
Pondo os olhos na varanda
Tu dirás de mágoa cheia:
"Todo o congresso ali anda,
"Só o meu amado não."

Mandarás aos surdos Deuses
Novos suspiros em vão.

Lira XVII

Dirceu te deixa, ó Bela,
De padecer cansado;
Frio suor já banha
Seu rosto descorado;
O sangue já não gira pela veia,
Seus pulsos já não batem,
E a clara luz dos olhos se baceia:
A lágrima sentida já lhe corre;
Já pára a convulsão, suspira, e morre.

Seu espírito chega
Onde se pune o erro:
Grossos portões de ferro.
Aos severos Juízes se apresenta,
E com sentidas vozes
Toda a sua tragédia representa;
Enche-se de ternura, e novo espanto
O mesmo inexorável Radamanto.

Lira XXI

Que diversas que são, Brasília, as horas,
Que passo na masmorra imunda, e feia,
Dessas horas felizes, já passadas
Na tua pátria aldeia!

Cada qual o seu canto aos Astros leva;
De exceder um ao outro qualquer trata;
O eco agora diz: "Brasília terna";
E logo: "Heloísa ingrata".

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Lira XXV

Eu, Brasília, respiro;
Mas o mal, que suporto,
É tão tirano, e forte,
Que já me dou por morto:
A insolente calúnia depravada
Ergueu-se contra mim, vibrou da língua
A venenosa espada.

Venha o processo, venha;
Na inocência me fundo:
Mas não morreram outros,
Que davam honra ao mundo!
O tormento, minha alma, não recuses:
A quem sábio cumpriu as leis manjadas
Servem de sólio as cruzes.

Lira XXXVI

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Esta mão, esta mão, que ré parece,
Ah! não foi uma vez, não foi só uma,
Que em defesa dos bens, que são do Estado,
Moveu a sábia pluma,

É certo, minha amada, sim é certo
Qu'eu aspirava a ser de um Cetro o dono;
Mas este grande império, que eu firmava,
Tinha em teu peito o trono.

Mas pode ainda vir um claro dia,
Em que estas vis algemas, estes laços
Se mudem em prisões de alívios cheias
Nos teus mimosos braços.

Vaidoso então direi: "Eu sou Monarca;
"Dou leis, que é mais, num coração divino!
"Sólio que ergueu o gosto, e não a foça,
"É que é de apreço digno."

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agosto 15, 2005

eu não matei Joana D'Arc

Eu não sou Regina.

o Dorian Grey do mundo-bizarro

A primeira estrofe de Entre a serpente e a estrela, de Zé Ramalho, é a descrição de um sacrifício humano em um ritual satânico:

Há um brilho de faca
onde o amor vier
e ninguém tem o mapa
da alma da mulher
ninguém sai com o coração sem sangrar
ao tentar revê-la
um ser maravilhoso
entre a serpente e a estrela

Como um Adrian Leverkuhn do mundo-bizarro ou um Robert Johnson-bizarro, Zé Ramalho vendeu a alma e continuou sem talento; como um Dorian Grey-bizarro, Zé Ramalho fez o pacto mas ficou mais feio que o retrato.

b2b ou "em que Mercuccio explica a relação entre target, planejamento de marketing de resultados e imagem institucional da corporação"

Helena Hair + Velazques Perucas = nibelunga do cabelo duro
"muita dor de cabeça?" = Vertigem + Pró Tensão
Brascorp = cobertura exclusiva contra roubo, colisão e Fogo Grego.

Aguardo anúncios de cerealistas, calígrafos, hortifrutigranjeiros e atacadistas de artigos religiosos.

agosto 5, 2005

as idéias e as palavras

Interrompo a série de falsonetos para fazer uma revelação assustadora: depois de copiar a si mesmo, Arnaldo Jabor me copiou!

Neste post, publiquei declarações fictícias(*) de Chico Buarque(**) reclamando da moda do cinema de kung-fu chinês.

(*) alguns leitores acreditaram que as declarações eram reais; ainda estou em dúvida se por mérito meu ou por deficiência deles próprios.

(**) Arnaldo Jabor e Chico Buarque em um único texto; este, sem dúvida, é meu pior post ever.


Para minha surpresa, na última semana, a propósito da estréia de Sin City, Arnaldo Jabor escreveu:

"Mesma coisa com os filmes de karatê e espada chineses, com aquele bando de babacas voando por cima dos bambuzais, dançando um ridiculo balé da morte, com o sangue que jorra em câmera lenta, as cabeças voando decepadas, os olhos vazados, tudo muito belo (e escroto), para fascinação dos espectadores cult: ''Oh... que belos intestinos saindo pelos buracos do ventre em contraluz!"


Compare com trechos de meu texto satírico:

"Toda essa indústria da glamourização do Shaolin, de quem pode voar pela subjetividade, de quem ostenta seu Louva-a-Deus, seu Tigre, sua Garça(...) aquele figurino todo bonitinho do "Herói", aquela roupinha azul, a roupinha branquinha, a árvore amarelinha que vira vermelhinha como o sangue da mocinha."


Constato, perplexo, que eu fazendo sátiras sou melhor que Jabor falando sério. E nem precisei dirigir aquela dúzia de filmes ruins.

agosto 3, 2005

proposição

Irado, meu amigo sugeriu:
"Processe as faculdades literárias,
pois se essas aulas, classes legendárias,
criado têm abrigo, não se viu."

A prosa desenvolta não surgiu,
em regras e receitas perdulárias
se empregam satisfeitas alimárias,
a glosa sempre douta não se urdiu.

Nos versos almejei melhor ventura,
heróicos decassílabos ao dia.
Decerto rejeitei propositura

qual discutir proveito algum teria;
se blog é ou não é literatura,
estreito o teu deleite, Academia.