" /> Nucopardoca: novembro 2005 Archives

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novembro 30, 2005

It is too late, it's all theatre

- Agora percebi que "A screaming comes across the sky(...)" é uma paródia de "A shout in the street, Stephen answered(...)"
- É? Uma paródia?
- É. Uma citação, uma resposta.
- Sim; por isso ele continua "A screaming comes across the sky. It has happened before, but there is nothing to compare it to now." Ele avisa, it has happened before.
- "There is nothing to compare it to now." Muito humilde, ele.
- Assim como o outro, o citado. Mas só agora você percebeu?
- Só.
- Aqueles gifs foram feitos pra você.
- Obrigado. Eu também sou muito humilde.

Schrödinger meets Darwin

- Dentro daquela caixa há um Homo erectus.
- Vivo ou morto?

- Quem, o Homo esgaster?
- Está vivo. E já é um heidelbergensis.
- Não, agora é um neanderthalensis. E está morto.
- Abra a caixa.
- Não abra.
- A observação vai alterar o sistema.
- Isso é um absurdo.
- O colapso de um colapso.
- Se há um colapso, está morto.
- Ou vivo.
- O gato?
- Não, o sapiens sapiens.
- Em universos paralelos a caixa contém um sapiens e um erectus.
- Que não interagem entre si.
- Você vai se emaranhar com o Homo ergaster.
- Um emaranhado feio.
- Áspero.
- Crespo.
- Mentira. Everett não foi convidado.
- Abra a caixa.
- Não abra.
- A observação vai provocar um Australopithecus afarensis.
- Vivo ou morto?

esqueça o post anterior

Isso aqui é müüüito melhor.

(O grito! O GRITO! VËJA AQUEHLE GRITO! Nenhum damn irish pirobo faria melhor.)

varna for dummies

Brasil é o que acontece quando Shandalas e Shudras tomam o lugar de Brahmanes e Kshatriyas.

novembro 28, 2005

the ballad of Jack and Rose, Rebecca Miller

balladjackrose_pic1.jpg

Daniel Day-Lewis está convincente e Camilla Belle é uma linda cabeçudinha.

ballad03.jpg

novembro 24, 2005

careca imbecil

Imposto sobre postes. Certo estava Mr. Pole, que ao encontrar seu amor partiu para o idílio - onde vão ambos, de mãos dadas, colher nos vales lírios e boninas, e galgam dum fôlego as colinas dos rocios da noite inda orvalhadas.

novembro 22, 2005

pênalti? que pênalti?

Paulo Okamotto, presidente do Sebrae, declarou a uma dessas CPIs que entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2004 pagou em dinheiro uma dívida de R$ 29.000,00 de Lula com o PT. Ex-tesoureiro do partido e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Okamotto foi eleito presidente do Sebrae em dezembro de 2004, com apoio do Governo Federal.

Ao deixar o cargo de diretor do PT no final de 2003, Lula foi cobrado por Delúbio a pagar a dívida mas não concordou com a cobrança. Okamotto ofereceu dinheiro para quitar o débito e o presidente aceitou.

O office-boy encarregado por Okamotto para fazer os depósitos nas contas do PT apresentava uma cópia da carteira de identidade de Lula nos caixas para identificar o depositante.

Esse governo ainda existe? Como vocês são lerdos.

E Politics, de Yeats, para provar que falo sério:

HOW can I, that girl standing there,
My attention fix
On Roman or on Russian
Or on Spanish politics?
Yet here's a travelled man that knows
What he talks about,
And there's a politician
That has read and thought,
And maybe what they say is true
Of war and war's alarms,
But O that I were young again
And held her in my arms!

notas do fim do mundo do fim do século passado

E o Mondex, é mesmo a marca da besta?

Vou precisar guardar cereais em garrafas plásticas por 42 meses? Mas antes tenho de gerar vácuo por combustão dentro da garrafa? Quantas garrafas vou ter de estocar? E se o fogo queimar a garrafa, vou passar fome?

Depois da venda de bilhões de livros da série Left Behind o Anticristo ainda vai fazer tudo daquele jeito? UE, governo mundial, unificações? O Anticristo não assistiu Meggido e os outros filmes ruins do gênero? Não tem plano B, não tem assessoria logística?

E o falso Anticristo, vai vir de Kombi, parachute ou Total Flex?

astronauta do mármore do inferno

There’s a Satan fallin' from the sky
He’d like to come and meet us
But he thinks you’d blow his mind
There’s a Satan fallin' from the sky
He’s told us not to blow it
Cause he knows it’s all worthwhile

(inspirado pela versão de Seu Jorge para a versão do Nenhum de Nós da obra de David Bowie.)

novembro 18, 2005

Referendo

Manhã de 27/11, FUVEST, vou tentar entrar em minha terceira faculdade.

Noite de 26/11, Iggy Pop and The Stooges em São Paulo.


Em meu lugar, o que você escolheria?

RESULTADO FINAL:

Michael Jackson de burca no banheiro feminino em Dubai: 28,79%

a volta do "saudade do presidente Figueiredo": 21,21%

FUVEST: 12,12%


Decidi ir ao show por razões estatísticas: FUVEST é uma vez por ano, já o Tio Iguana está com 58, vai saber...

novembro 15, 2005

classificados

Compro a Odisséia na tradução do Carlos Alberto Nunes.

Vendo DVD do Glenn Gould, Variações Goldberg, e CD do David Bowie, Heathen. Novos, lacrados, sem uso.

Spams sobre venda de órgãos serão apagados.

novembro 11, 2005

marcas da violência, david cronenberg

Parem as rotativas! Depois de décadas de lixo alguém em Hollywood ainda sabe o que é plot, o que é roteiro, e como dar soluções simples à estória mais antiga do mundo.

Enxuto, em seus 90 minutos A History of Violence parece ainda menor. Faz com que cada minuto de Road to Perdition, de Kill Bill ou de qualquer chinês voador dure uma hora. Sin City, então, arrasta-se pelos séculos.

- Jesus, Ritchie!

novembro 9, 2005

quem curte poesia moderna incentiva o racismo

Chega de versos brancos.

Têm a admiração dos Acadêmicos do Tucuruvi só porque são brancos. Fossem versos negros, sofreriam a exclusão na pele e denunciariam o oculto nas exigências de boa aparência.

Nojento!

tese que não demonstrarei por absoluta preguiça mas que até você é capaz de reconhecer como verdade

"Shrek" é o equivalente adulto para "Central do Brasil".

Adultos vêem o burro e o ogro como as crianças vêem o órfão e Fernanda Montenegro. Colinho e cafuné inclusos.

Aqui a absoluta preguiça encerra o texto, mas você não seria capaz de refutá-lo mesmo.

"a crise é um produto da mídia"

Vejo Marilena Chauí na capa da Caros Amigos e penso nas infinitas potencialidades daquela boca flácida sem a dentadura.

TOME NOTA, DECORE E NÃO ESQUEÇA - Ecologia: estudo da planta, do animal ou do homem em relação com o meio ou com o ambiente; estudo de um grupo territorial natural, no conjunto de suas relações com o meio geográfico e das condições de vida social

Nunca imaginei descobrir ao final do picolé Kibon madeira de reflorestamento. Melhor, nunca imaginaria a utilidade da informação.

Responsabilidade ecológica. Empresa cidadã. Amiga do panda. Ganhou meu boicote.

novembro 7, 2005

Why, I haven't seen a beating like that since Rodney King.

LaMarianne.jpg

(...)Ponde um urso ou um lobo em luta com um selvagem robusto, ágil, corajoso, como são todos, armado de pedras e de um pau, e vereis que o perigo será pelo menos recíproco e que, depois de muitas experiências semelhantes, os animais ferozes, que não gostam de se atacar entre si, atacarão de má vontade o homem, no qual encontraram tanta ferocidade como em si mesmos.

(...)Assim, não constituem tão grande desgraça para esses primeiros homens, nem principalmente tão grande obstáculo à sua conservação, a nudez, a falta de habitação e a privação de todas essas inutilidades que julgamos tão necessárias. Se não têm a pele cabeluda, disso não têm nenhuma necessidade nos países quentes; e sabem logo apropriar-se, nos países frios; das peles dos animais por eles subjugados: se têm somente dois pés para correr, possuem dois braços para prover à sua defesa e às suas necessidades.

(...)Só, ocioso, e sempre vizinho do perigo, o homem selvagem deve gostar de dormir, e ter o sono leve, como os animais, que, pensando pouco, dormem, por assim dizer, durante todo o tempo que não pensam. Constituindo a própria conservação quase, o seu único cuidado, as suas faculdades mais exercitadas devem ser as que têm por objeto principal o ataque e a defesa, seja para subjugar a presa, seja para se preservarem de ser a de outro animal; ao contrário, os órgãos que não se aperfeiçoam senão pela moleza e a sensualidade devem ficar em um estado de grosseria que exclui em si toda espécie de delicadeza; e como os sentidos participam disso, terá o tato e o gosto extremamente rudes, a vista, o ouvido e o olfato mais sensíveis. Tal é ,o estado animal em geral, e é também, segundo as narrativas dos viajantes, o estado da maior parte dos povos selvagens.

(...)Porque só o homem está sujeito a se tornar imbecil? Não será porque volta assim ao seu estado primitivo e, enquanto o animal, que nada adquiriu e nada tão pouco tem que perder, fica sempre com o seu instinto, ele, perdendo de novo, com a velhice ou outros acidentes, tudo o que a sua perfectibilidade lhe fizera adquirir, torna a cair assim mais baixo do que a própria besta?

(...)Mas, sem recorrer aos testemunhos incertos da história, quem não vê que tudo parece afastar do homem selvagem a tentação e os meios de cessar de o ser? Sua imaginação nada lhe pinta; seu coração nada lhe pede. Suas módicas necessidades encontram-se tão facilmente à mão, e ele está tão longe do grau de conhecimento necessário para desejar adquirir maiores, que não pode ter nem previdência nem curiosidade. O espetáculo da natureza torna-se-lhe indiferente à força de se lhe tornar familiar: é sempre a mesma ordem, são sempre as mesmas revoluções; não tem o espírito de se admirar das maiores maravilhas; e não é nele que se deve procurar a filosofia de que o homem tem necessidade para saber observar, uma vez, o que viu todos os dias. Sua alma, que coisa alguma agita, entrega-se ao sentimento único de sua existência atual sem nenhuma idéia do futuro, por mais próximo que possa estar; e seus projetos, limitados como suas vistas, estendem-se apenas até ao fim do dia.

(...)Quando quiséssemos supor um homem selvagem tão hábil na arte de pensar quanto no-lo fazem os nossos filósofos; quando fizéssemos dele, a seu exemplo, também um filósofo, descobrindo sozinho as mais sublimes verdades, deduzindo de raciocínios muito abstratos máximas de justiça e de razão tiradas do amor da ordem em geral, ou da vontade conhecida do seu Criador; em uma palavra, quando supuséssemos no seu espírito tanta inteligência e luzes quanto ele deve ter e de fato nele achamos de pesado e de estúpido, que utilidade tiraria a espécie de toda essa metafísica, que não poderia se comunicar e que pereceria com o indivíduo que a tivesse inventado?

(Jean-Jacques Rousseau, Discours sur l'origine et les fondements de l'inégalité parmi les hommes, 1754)

novembro 6, 2005

Paris, Texas

Gente de outra religião, instrução, cor, nariz e sotaque reclama de ser discriminada na França. Estas pessoas não são queridas pela população que detesta até turista, e é natural que atear fogo em carros vá melhorar sua imagem.

Pelo que li (vinte linhas), dois bacaninhas se esconderam dentro de um transformador e quando isso resultou em sua eletrocussão, todos se revoltaram e saíram às ruas exigindo empregos decentes e melhores condições de vida -- direitos que, sabe-se, todos os pobres e imigrantes têm --, além do direito a ir trabalhar de burca encardida, ou fantasiados de tender.

Se querem saber, acho que toda revolta na história da França decorre da falta de banho da população. E não se trata apenas do suor que exalam durante as manifestações -- quando a coisa só piora, entrando num círculo vicioso do fedor --, mas o afetamento, o exagero, decorrentes da falta de um bom banho.

Porque fede, o francês usa perfumes. Mas não como um ser humano normal, não: ele se encharca, quase toma um banho de água-de-cheiro. E assim acostuma o seu espírito a manifestações sempre exageradas nos mais diversos ramos da vida -- e a rixa com os fleugmáticos ingleses em nada ajudou. No campo artístico é tudo muito evidente, e tantas são suas revoluções românticas, que nem há o que comentar. E a moda, que é senão um exagero visual, todas aquelas plumas e chapéus? Revoluções como as de 68, fadadas ao nada. Napoleões e Robespierres, Luíses e De Gaulles... tudo muito afetado.

Agora queimam carros, produzindo inimaginável calor. Quando para inteirar o salário, melhor seria lavá-los, a preço de ocasião. Mas, é claro, o banho, sempre contrários ao banho.

(com agradecimentos ao homem do Dies-Dies-Irae-ô-ô-ô, Dies-Irae-ô-ô-ô)

Paris é uma festa

Paris! Paris!
Teu rio é o rio Sena
Paris! Paris!
Tens loura, mas não tens morena
Que lindas mulheres
De olhos azuis!
Tu és a Cidade Luz!
Paris! Paris! Je t’aime
Mas eu gosto muito mais do Leme

novembro 2, 2005

A corpse will be transported by express

popocatepetl.jpg

O que esperava por seus olhos, quando eles emergiram na estrada, era aterrador. As massas de nuvens negras continuavam subindo pelo céu crepuscular. Acima, muito mais acima, a uma altura ameaçadora e vasta, pairavam pássaros pretos incorpóreos, mais parecido a esqueletos que a pássaros. Pelo cume do Ixtacihuatl, a nevasca passou obscurecendo-o, enquanto o resto do seu corpo era amortalhado em cúmulos. Mas toda a precipitosa massa do Popocatepetl parecia vir em direção a eles, deslocando-se com as nuvens para debruçar sobre o vale em cujo flanco, posto em relevo pela luz singular e melancólica, brilhou um topo de colina, pequeno e indócil, no qual havia um reles cemitério talhado.

O cemitério enx

- aqui o Leonardo Fróes tenta me convencer de que o Lowry teria escrito "o cemitério enxameava de gente" e "pessoas só visíveis enquanto chamas de velas" mas isso é muito feio, vou pular essa parte.

Mas de repente foi como se um heliógrafo a relâmpagos transmitisse mensagens através da rude paisagem: a eles perceberam, congeladas, as próprias e diminutas figuras em preto e branco. E agora, prontos a ouvir a trovoada, puderam também ouvi-las: lamentações e gritos abafados que, ao sabor do vento, desciam ao seu encontro. Tocando guitarra baixo ou cantando, as pessoas rezavam sobre os túmulos dos seus parentes mortos. Um som como que de harpas eólias, uma tintinabulação fantasmagórica, também chegou até eles.

Um estrépito titânico de trovoada engolfou-o, rolando pelos vales abaixo. A avalanche começara. Sem extinguir contudo as chamas das velas, que se mantinham tremeluzindo destremidas, algumas a se moverem agora em procissão. Fiéis em fila descendo pela encosta do morro.