" /> Nucopardoca: abril 2006 Archives

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abril 25, 2006

Philip Marlowe e o longo adeus.

Shannyn Sossamon, luz da minha vida, fogo das minhas entranhas. Meu pecado, minha alma. Sos-sa-mon: a ponta da língua tocando de leve o céu da boca em dois saltos, para repousar em um beijo.
Sos. Sa. Mon.

Era Shann pela manhã, com seu metro e cinqüenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Shannie ao vestir os jeans desbotados. Era Nyn na escola. Era Shannon Marie Kahoolani Sossamon sobre a linha pontilhada.
Mas, em meus braços, era sempre Shanna.

abril 19, 2006

índio no quer pipoca

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- hoho no vão resistir ao meu charme hehe

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- no querida no quero ver a pororoca agora no brigadu

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- Reflita, ok!1!1!!!11!11!!111!

abril 11, 2006

But you don't really care for music, do you?

Cover.

silêncio

That's when you know you've found somebody special. When you can just shut the fuck up for a minute and comfortably enjoy the silence.

abril 3, 2006

o massacre eu assumo, veja meu sorriso

Depois de meses folheando a revista na banca para pegar o código de acesso ao site, ou simplesmente lendo melhor parte na comunidade "Diogo Mainardi" do Orkut, comprei uma Veja; a imprensa brasileira sempre me assusta.

Lya Luft diz que eu, você e ela somos culpados da existência, sofrimento e morte das crianças traficantes. A moda intelequitual de querer me culpar de tudo não acabou no século passado? Waaal.

Não duvido que Lya Luft seja responsável por grande parte dos males que flagelam a humanitude, e até incentivo a emoção:

- Vem, Lya, sinta-se culpada pelo meu cartão-de-crédito estourado. Fique à vontade, não se aflija: quando cansar de se preocupar com a fatura do cartão pode começar a chorar pela cristaleira da vovó que eu quebrei, pelo feijão que eu queimei e pela Veja que comprei. Isso, minha filha, chora por mim que faz bem.

Também não morro de amores por você, leitor, que não deve ser grande coisa; mas daí a acreditar que eu seja responsável pelas crianças do tráfico? EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEU? Eu, que sou da mesma geração que os falecidinhos, da mesma geração que os pais deles, e jamais pus um filho no mundo? Eu, eu mesmo, mimself?

Aguardo ansioso o dia em que algum jënho prove em página inteira de jornal minha parcela de culpa pelo Holocausto, por Napoleão e pelo Big Bang. O massacre de 60 milhões de indígenas nas Américas eu até assumo, com orgulho.

Até hoje só li dois textos de Lya Luft; nas duas vezes ela me pareceu bem burrinha. Tive a impressão de que ela escreve como um garoto de 11 anos que faz a terceira série pela terceira vez. Apesar de mim, Lya Luft é autora de alguns dos livros mais vendidos no Bananão nos últimos anos. E o governo, aliado a toda essa gente que quer que eu assuma a culpa pela delenda de Cartago, ainda faz campanha para que o povo leia mais. O povo, você sabe: o menino do tráfico, a mãe, o vizinho deles e aquele X-9 encardido que fica implorando "pelo amor de Deus não me mata". Ler Lya Luft? Não, deixa os coitados sem ler mesmo que é melhor, depois eles vão até agradecer:

- Então mano colô uns barato aí de esquema de uns livro chato de uma tia caô mó veneno ainda bem que nóis fizemo a correria e cê livrô a nossa cara truta firmeza sangue é nóis.

Isso lembra

(ATENÇÃO! ATENÇÃO! ATENÇÃO!

PELA TERCEIRA VEZ EM 600 POSTS VOU ESCREVER O NOME!

NÃO PERCA A CHANCE DE DIZER QUE ELE É MEU GURU, CHEFE APACHE, OBI-WAN KENOBI DA JUVENTUDE BEM-NACIDA DAS ELITE!

E DEPOIS VOCÊ AINDA PODE DIZER QUE SOU PREVISÍVEL! SIGH HEIL!

É NÓIS, ÇB!)

...o que Olavo de Carvalho escreveu uma vez, sobre como começou a trabalhar aos 12 anos, e que se fosse hoje o Estado o tiraria do trabalho e o colocaria em uma sala-de-aula para ler Paulo Coelho.

Na mesma edição da Veja, Isabela Bocó reclama de V de Vingança, o filme, porque a história original fala de um terrorista que luta contra um regime totalitário mas foi escrita durante o liberalismo de Margaret Thatcher.

É pra isso que as pessoas estudam História Social da Arte?

Crítica tão relevante e bem fundamentada equivale a condenar Hamlet porque Shakespeare nunca viveu sob o governo de um golpista dinamarquês; ou desprezar 2001, o filme, porque em 1968 os computadores não tinham emoções, ou porque 1968 não era 2001 - vale tudo, melhor não duvidar.

Na próxima semana Isabela vai tentar provar que sou culpado pela careca de Natalie Portman, e Lya Luft vai pedir a ajuda de V contra a violença do tráfico. Ou contra o câncer de próstata, que também é um horror e ai meu deus vamos moralizar este Brasil tão lindo.